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Saiba quem é o brasileiro que tentou matar Cristina Kirchner na Argentina



Publicado em sábado, setembro 3, 2022 · Comentar 

O brasileiro Fernando Andrés Sabag Montiel, de 35 anos, foi o autor do atentado contra a vice-presidente Cristina Kirchner na Argentina na noite desta quinta-feira (1). A pistola usada pelo homem tinha cinco projéteis mas não disparou, apesar de ter sido acionado o gatilho a poucos centímetros do rosto de Cristina (veja o vídeo aqui).

De acordo com autoridades que investigam o caso, Fernando é um militante de extrema direita e participava de grupos que estimulam discursos de ódio contra a esquerda nas redes.

O brasileiro tem em seu cotovelo um símbolo nazista tatuado, o “sonnenrad”, “sol negro”. O símbolo é historicamente identificado com o nazismo e estava presente em um dos salões principais do castelo de Wewelsburg, sede da SS, a organização paramilitar chefiada por Heinrich Himmler no governo Hitler.

Neonazistas de vários países têm ostentado o sol negro, que conectaria o nazismo a ‘saberes antigos secretos’. Recentemente a imagem chamou a atenção do mundo por estar presente em alguns uniformes do Batalhão Azov, na guerra travada por Ucrânia e Rússia.

Contra programas sociais

Fernando já foi entrevistado em um programa da ‘Cronica TV’, um canal de televisão da Argentina. Nele, o repórter perguntava a transeuntes sobre suas posições sobre benefícios governamentais às pessoas carentes, algo equivalente ao que foi o Bolsa Família ou é o Auxílio Brasil.

Em uma resposta carregada de preconceito, Montiel diz-se contrário aos programas sociais: “Os planos sociais fomentam a vadiagem”. Depois, nas redes sociais, ele disse que foi acusado de ‘xenofobia’ e ‘racismo’ por “mandar estes vagabundos irem trabalhar”.

Antecedentes criminais

Fernando Andrés Sabag Montiel tem antecedentes criminais, segundo o jornal Clarín. Em março de 2021, ele foi acusado de contravenção e porte de arma no bairro La Paternal, onde mora.

O brasileiro foi preso com uma faca e declarou que ela seria usada para defesa pessoal. Registros comerciais do país apontam que o brasileiro é motorista de aplicativo e tem um Chevrolet Prisma. Ele também foi notificado por dirigir um automóvel sem placa.

Feriado nacional

O presidente argentino Alberto Fernández falou em cadeia nacional ainda na noite de quinta-feira (1) após a tentativa de assassinato. Declarou feriado para esta sexta-feira (2) diante da gravidade do ocorrido, em um dia que será tomado de mobilizações contra a violência política.

“Este acontecimento é de uma enorme gravidade. É o mais grave desde que recuperamos nossa democracia”, disse o mandatário. Em seguida, relacionou o fato à campanha midiática e política de discurso de ódio, do qual Kirchner é um alvo constante.

“Este atentado merece o mais enérgico repúdio de toda a sociedade argentina, de todos os setores políticos, de todos os homens e mulheres da República. Porque esses acontecimentos afetam a nossa democracia. Estamos obrigados a recuperar a convivência democrática que foi quebrada pelo discurso de ódio, disseminado por diferentes espaços políticos, judiciais e midiáticos da sociedade argentina. Podemos discordar, ter profundas discórdias, mas, sem uma sociedade democrática, os discursos que promovem o ódio não podem ter lugar porque cultivam violência, e não há possibilidade de que a violência conviva com a democracia.”

Cristina vive perseguição judicial nos moldes da Lava Jato

A casa de Cristina Kirchner vem sendo palco de protestos nos últimos dias. Os protestos começaram quando um promotor, Diego Luciani, pediu pena de prisão de 12 anos para a ex-presidenta, que sofre em seu país uma perseguição judicial semelhante à sofrida por Lula na Lava Jato. No caso argentino, promotor e juiz do caso são amigos e já foram fotografados em um campo de futebol pertencente ao ex-presidente Mauricio Macri.

A batalha judicial desencadeou uma onda de espetáculos na mídia, com o objetivo de condenar por antecipação Cristina Kirchner e impedir sua candidatura à presidência no ano que vem.

“Estão esperando que matem a um peronista”, disse o filho de Cristina, Máximo Kirchner, referindo-se ao fato de a polícia da cidade de Buenos Aires, governada pela oposição, ter abandonado a vigilância do local depois de incidentes ocorridos no sábado (27), quando houve enfrentamento com apoiadores da ex-presidente.

 

Da Redação do ExpressoPB
Com Pragmatismo Político 

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