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Lula ironiza Ciro: “Quer que eu passe o bastão? Corra mais do que eu”



Publicado em quinta-feira, abril 8, 2021 · Comentar 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ironizou nesta quinta-feira e o ex-ministro e pré-candidato presidencial Ciro Gomes (PDT) por ter defendido que o petista retire sua pré-candidatura à Presidência em 2022. Sem citar diretamente Ciro, Lula disse que é uma “falta de respeito” querer que ele não dispute e afirmou que quem quiser superá-lo terá de disputar nas urnas.

“Querem que eu não polarize. ‘Ô, Lula, você sai que eu posso disputar…’. Não. Vamos disputar”, disse, em entrevista ao site “DCM”. “‘O PT polariza demais, não pode polarizar…’. Cresçam e ocupem o lugar do PT. Mas não peça para a gente não existir, pelo amor de Deus. Como é que pode pedir para alguém que tem 30 [% das intenções de voto] desistir para alguém que tem 3 [% das intenções de voto]? É até uma falta de respeito. Eu trato isso com muito humor, porque sei das dificuldades que as pessoas têm”, afirmou o ex-presidente.

Na segunda-feira, Ciro disse que Lula deveria dar um “passo atrás” e se espelhar na ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner, que desistiu de ser candidata à Presidência e aceitou ser vice de Alberto Fernández, atual presidente argentino. O ex-ministro tem se aproximado do centro e na semana passada assinou um manifesto junto com outros pré-candidatos da centro-direita, em movimento articulado para buscar um nome único desse campo político para concorrer na próxima disputa à Presidência.

Lula negou que vá desistir de uma provável candidatura presidencial em 2022. “Não peçam para eu me matar, para eu desaparecer. Não peçam. Quer que eu passe o bastão, [então] corra mais do que eu. Quer ficar parado e quer que eu entregue o bastão? Não. Trabalhe, faça jus”, afirmou na entrevista. “O PT vai ser o primeiro ou segundo em muitas eleições ainda. Quem não quiser que o PT seja, ou dá um golpe como eles deram ou cresçam, se organizem, vá para a rua.”

Na entrevista, Lula culpou o presidente Jair Bolsonaro pela gravidade da crise sanitária no Brasil, que já matou mais de 341 mil pessoas. “Ele [Bolsonaro] tem que ser tratado como genocida, porque é do descaso, das orientações dele que muitas pessoas morreram”, criticou Lula, lembrando que o presidente tem criticado as medidas de distanciamento social e negado a gravidade do novo coronavírus. “O presidente virou um vendedor de cloroquina. Ele passou a destruir todas as informações que a ciência dá à sociedade, tratou como inimigos prefeitos e governadores”, disse. Segundo Lula, Bolsonaro fez a “opção pela ignorância” em relação ao combate à pandemia.

O petista endureceu as críticas em relação ao presidente, a quem chamou de “pequeno monstro” e “negacionista, e disse que o governo “não pensa” e é composto por “ignorantes”. Sobre o ministro da Economia, Paulo Guedes, classificou como um “bufão” que só aposta nas privatizações. “Na economia agora é vender até as cuecas. Querem vender tudo. E quando não tiver mais nada para vender, o que vão fazer?”, questionou.

Ao falar sobre o julgamento do Supremo Tribunal Federal dos recursos contra a decisão do ministro Edson Fachin que anulou suas condenações na Lava-Jato, Lula disse que os ministros não podem pautar suas decisões pela opinião pública. “Lamento profundamente a tentativa de politizar uma decisão da Suprema Corte. Ministro não tem que pensar na opinião pública. Ele está lá com emprego fixo até os 75 anos. Ninguém pode ter medo de passeata na porta de casa”, disse o ex-presidente. “Se é para ser julgado pela opinião pública, então o ministro [do STF] deveria ser eleito”, afirmou.

Na próxima semana, no dia 14, o STF analisará o recurso da Procuradoria Geral da República, que tenta restabelecer condenações do ex-presidente no âmbito da Lava-Jato, e o recurso da defesa de Lula, que quer manter tramitação de processos extintos por Fachin no início de março. Com a decisão de Fachin, Lula recuperou seus direitos políticos. O petista foi preso por 580 dias depois de condenado no processo do tríplex do Guarujá.

O petista afirmou ainda que magistrados não deveriam fazer comentários públicos sobre processos. “Juiz não tinha que ficar dando entrevista sobre processo. Deveria se manifestar nos autos.”

Da redação/ Com O Valor

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