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Com covid, UTIs brasileiras têm taxa de mortes 18% acima do máximo esperado



Publicado em sábado, novembro 7, 2020 · Comentar 

O adoecimento em massa causado pela covid-19 levou a uma taxa de mortalidade 18% acima do máximo esperado este ano nas UTIs (unidades de terapia intensiva) brasileiras.

Os dados fazem parte do projeto UTIs Brasileiras, uma parceria entre a Amib (Associação de Medicina Intensiva Brasileira) e a empresa Epimed, e apontam a maior taxa de mortalidade em dez anos.

Até agosto, a TMP (taxa de mortalidade padronizada) estava em 1,18. Isso quer dizer que há um índice de mortes 18% acima do esperado, segundo registros de equipes médicas das UTIs.

Se a taxa registrada é de 0,98, por exemplo, quer dizer que, de 100 pessoas que corriam alto risco de morte, 98 perderam a vida de fato, e duas foram recuperadas. É um desempenho considerado bom. O índice de 1,18 com a incidência da covid-19 mostra que morreram pessoas que sequer corriam risco ao entrar na UTI, de acordo com a classificação médica.

“Isso mostra nitidamente que o impacto da covid-19 nas UTIs foi forte, a ponto de mudar a curva que vinha em queda, e mostravam a melhoria de qualidade das UTIs ao longo dos anos no país”, explica o médico intensivista Marcos Gallindo, membro da Comissão de Defesa Profissional da Amib e coordenador da UTI do Hospital Agamenon Magalhães, no Recife.

A TMP estava abaixo de 1 nas UTIs brasileiras nos três anos anteriores a 2020.

Número de pacientes em estado grave com covid-19 excedeu rotina da UTI, diz médico

“O pior era que toda a UTI era praticamente só com pacientes covid-19 graves. Isso é bem diferente do nosso habitual, onde temos alguns graves, outros menos graves, outros só em vigilância, outros em pós-operatório. Ou seja, doenças diferentes com gravidades diferentes são a rotina das UTIs. Vivemos um momento muito diferente na pandemia”, afirma Galindo.

O médico diz que o aumento deve ser estudado para ser entendido detalhadamente. Mas afirma que uma das explicações possíveis para o aumento da TMP é que havia piora inesperada de pacientes, que ficavam graves após ingresso nas unidades.

A situação se torna ainda mais grave quando se analisa a TMP diferenciada entre hospitais privados e públicos. Nas unidades de hospitais de atendimento gratuito, essa TMP chegou a 1,58. Já entre os particulares, esse índice ficou 1,03 (ultrapassando 1 pela primeira vez desde 2014).

“Equipes trabalharam em nível de tensão máxima”

O professor e integrante do Serviço de Pneumologia do Hospital da UnB (Universidade de Brasília), Ricardo Martins, afirma que a taxa tem uma relação direta com a falta de diretrizes para tratamento.

“Era uma doença nova, estávamos começando a compreender. Na medida em que fomos entendendo de que forma era a evolução da doença, começamos a aprender técnicas de UTI para deter a doença, e hoje temos melhores condições. Se for comparar de março para agora, deve ter tido uma queda”, explica.

Um dos pontos que pode ter reduzido a efetividade dos tratamentos intensivos, diz Martins, foi a grande quantidade de pacientes ao mesmo tempo nas unidades. “Com certeza absoluta as equipes trabalharam em nível de tensão máxima. A carga de trabalho era grande, esses pacientes dão um trabalho gigantesco, necessitam de uma série de procedimentos, peculiaridades que precisam ser observadas. Isso, claro, foi um problema.”

Da redação/ Com UOL

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