19 de abril – Dia do Exército

Publicado em segunda-feira, abril 19, 2021 · Comentar 


Neste dia de hoje em que se celebra o dia Exército Brasileiro (EB), podemos afirmar que seu berço de nascimento é a cidade de Guararapes (estrondo dos tambores, do tupi uarará’pe. Uarará – espécie de tambor indígena; e Pe – no (local)), local onde ocorreu em 19 de Abril de 1648, a famosa Batalha de Guararapes a qual deu forma e vida ao Exército.

Nos idos de 1.600, Portugal, disputando o poder na Europa, mantinha na Colônia um mínimo efetivo militar. Era assim difícil defender o vasto litoral e o extenso território. Sua população era física, culturalmente diferenciada, era habitada por europeus, africanos, os nativos, descendentes e miscigenados.

O açúcar já valia muito dinheiro, era ouro no Velho Mundo. Do continente europeu veio uma empresa comercial, escoltada pelos holandeses, que conquistou Recife e ficou por mais de 20 anos em Pernambuco.

Os portugueses tinham uma pequena milícia, a ela uniram-se as lideranças locais, sob o comando do escravo alforriado Henrique Dias, o chefe indígena Poti que significa em tupi-guarani também camarão e vários crustáceos e em guarani excremento, cocô.

Naquele momento histórico, cidadãos de fibra, coragem e autodeterminação se uniram, independentemente de etnia ou credo, em busca da libertação do jugo estrangeiro. Com este movimento ousado, trouxeram à vida a essência da Força Terrestre.

Felipe Camarão e o capitão Antonio Dias Cardoso e outros. Pela primeira vez, tiverram um pensamento de união na pátria, sendo o invasor holandês expulso de Pernambuco e dessa união de raças nascia a nacionalidade brasileira e com ela, o Exército Brasileiro.

Os holandeses planejavam reconquistar o Porto de Nazaré, no Cabo de Santo Agostinho, fundamental para o abastecimento do Arraial Velho do Bom Jesus, por onde entravam as armas e munições usados pela resistência luso-brasileira.

Sob o comando do coronel Sigismundo de Schkoppe, os combatentes holandeses sabiam da importância estratégica de ocupar primeiro o povoado de Muribeca, onde havia grande quantidade de farinha de mandioca para abastecer os soldados.

Porém, os generais Fernandes Vieira e Vidal de Negreiros, sabendo dos planos de invasão, impediram a ação no Morro dos Guararapes, por onde os holandeses, vindos do Recife, teriam que passar para chegar a Muribeca. Este primeiro confronto terminou com vitória luso-brasileira, apesar do seu efetivo não passar de 2 200 homens, contra 7 400 do exército inimigo.

O saldo da guerra foi de 1 200 holandeses mortos, sendo 180 oficiais e sargentos. Do lado luso-brasileiro, foram 84 mortos. O combate mais intenso durou cerca de cinco horas. No campo de batalha tombaram, além de holandeses e luso-brasileiros, ingleses, franceses, poloneses, negros africanos e índios tupis e tapuias.

Muitos soldados holandeses afogaram-se em alagadiços nos arredores do Morro dos Guararapes. Debilitado para o combate, o exército da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais não resistiu ao vigor, preparo e conhecimento do terreno dos luso-brasileiros.

Nos momentos decisivos do confronto, os holandeses tentaram dominar o flanco ocupado pelos negros, comandados por Henrique Dias, mas as tropas comandadas por Vieira e Vidal vieram em seu auxílio, massacrando os holandeses.

Abaixo leiam um resumo da descrição do primeiro confronto, segundo Diogo Lopes Santiago, um cronista da guerra da época:

“Tanto que nossa infantaria se escondeu nos mangues ao pé do último monte, Antônio Dias Cardoso ordenou a 20 de seus melhores homens que fossem com 40 dos índios de Filipe Camarão procurar o inimigo, que marchava do Recife pelo caminho dos Guararapes.

Na entrada dos montes, nossos 60 soldados atacaram a vanguarda holandesa e vieram se retirando sem dar costas ao inimigo, atraindo-o a uma passagem estreita entre os montes e o mangue, até poucos passos de onde estava o nosso exército. Do nosso lado houve certa confusão e opiniões de retirada frente àquele exército tão superior, mas os dois mestres de campo, João Fernandes Vieira e André Vidal de Negreiros, resolveram, conforme combinado, enfrentá-los ali, dando a primeira carga e investindo no inimigo à espada, mesmo que sob fogo dos mosquetes.

Marchou André Vidal pela baixa com o Camarão à sua direita pelo mangue. Vieira avançou pelo alto com Henrique Dias à sua esquerda. Aguardaram os nossos duas espantosas cargas de mosquetaria e artilharia sem da nossa parte se dar nenhum tiro, indo ao encontro do inimigo já bem perto.

Neste tempo, por toda parte, disparou nosso fogo de uma só vez, causando grande dano e desorganização nos esquadrões inimigos. Logo os nossos sacaram as espadas e atacaram com tanto ímpeto e violência que não puderam os lanceiros conter os nossos de infiltrarem-se, matarem e destroçarem por meia hora, até que lhes pusessem em fuga.

Fugindo e descendo do monte, a seu pesar com mais presteza do que subira, os que escaparam de Dias e Vieira se juntaram aos que estavam em retirada pela campina pressionados por Vidal e Camarão. Ganhamos todos os canhões do inimigo e muita bagagem, motivo que levou muitos soldados ao saque e à euforia.

Como esperado em exércitos como aquele holandês, ter gente de reserva para situações difíceis lhes valeu um contra-ataque fulminante pegando nossos soldados desorganizados, além de exaustos, que se puseram em fuga monte abaixo.

A LUTA DESESPERADA QUE SEGUIU DAÍ PELA DEFESA DA PASSAGEM ESTREITA (APELIDADA BOQUEIRÃO) DUROU VÁRIAS HORAS, COM OS OFICIAIS (NOSSOS E INIMIGOS) NO MEIO DA AÇÃO. ACABAMOS POR PERDER 4 DAS 6 PEÇAS DA ARTILHARIA GANHA. POR FIM, O CAMPO FICOU NOSSO E O ALTO DOS MONTES DO INIMIGO.

O GENERAL HOLANDÊS, GRAVEMENTE FERIDO NO TORNOZELO, DETERMINOU A RETIRADA DURANTE A NOITE DEIXANDO DOIS CANHÕES APONTADOS PARA O BOQUEIRÃO, DISFARÇANDO SEU RECUO PARA O RECIFE”.

Quem se debruçar sobre esta história verá um povo cheio de esperança, lutando para ser capaz de escolher seu próprio destino. Verá, também, que nas lutas contra seus invasores, o EB, fundindo-se com o sopro inspirador do sentimento de pátria, que se eternizou nos nossos valores.

Verá, ainda, esse mesmo Exército, em permanente evolução, participando ativamente da formação da nacionalidade brasileira, ajudando a sociedade -– à qual pertence e com quem mantém pacto indissolúvel – a conquistar seus sonhos; lutando com ela, sofrendo com ela, vencendo com ela.

Aí estão as lutas pela manutenção da unidade nacional, pelo estabelecimento de fronteiras definitivas, pela independência, pela República e pela preservação da integridade territorial e da paz com os vizinhos.

Povo Brasileiro, orgulhe-se de seu Exército genuinamente nacional, comprometido com os valores democráticos e em permanente estado de prontidão para defender nosso solo e nossa gente; ajudar na defesa civil; proteger nossas fronteiras; dissuadir intenções hostis, intimidações e ameaças; e respaldar decisões soberanas de um povo que, livremente, já escolheu seu destino!

Da redação/ Com Defesa TV

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