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Opinião: A busca do poder une; a conquista dele afasta!



Publicado em segunda-feira, outubro 17, 2022 · Comentar 

Foto: Reprodução/Arquivo – 2013

Sou do tempo em que fazer política era muito mais que travar embate eleitoral. Os agentes políticos se comportavam como membros de uma grande família partidária.

Cansei de ver, e participar ainda criança, na residência do saudoso Adinaldo de Oliveira Pontes, ex-prefeito de Mari, uma centena de amigos aos domingos tomando ‘pinga’ e batendo papo , discutindo estratégias e tratando aquilo que mais gostávamos de tratar: política!.

Com  a decadência dos Pontes na política mariense, os Gomes assumiram o protagonismo de um segmento antagônico aos Martins que atua na política de Mari desde 1973. Desses agrupamentos [ Martins, Pontes e Gomes] esses dois últimos foram os únicos que fiz parte desde que iniciei minha militância politica e posso afirmar que o grupo Gomes é bom para “buscar” o poder, ou seja, se une para buscar o poder  e até são mais humanos quando estão de fora dele.

A impressão que tenho é que a linha de atuação do grupo é delimitada pelo antes de conseguir e o depois de conseguir seu objetivo: antes todos são bem vindo, queridos e lembrados; depois os amigos são escolhidos a dedo. E são muitos os argumentos para chegar a essa conclusão.

Lembro que em 2013 quando perdemos o poder para o então prefeito Marcos Martins, o quintal da casa da filha de Antonio era a “casa das confraternizações de aniversários americanos” de amigos que assim como eles (os Gomes) tinham perdido a prefeitura. Era a “irmandade dos sem poder”.

Ganho as eleições em 2016, com a caneta na mão e a cadeira de prefeito em 2017, consequentemente reconduzido ao poder em 2020, o comportamento foi se transformando gradativamente, dando lugar as desavenças internas, disputa de egos e concentração de poder nas mãos de alguns poucos, sobretudo familiares, agregados e neo-aliados, figuras sempre presente em governos e nunca em projetos.

Minha análise não tem caráter meramente crítico do que estamos vivenciando dentro do agrupamento político situacionista, acredito até que em governos passados poderia acontecer até pior que esses relatados, mas o objetivo dessa “avaliação”, depois de seis anos como aliado/defensor desse projeto político, olho na perspectiva de nos preparar para os próximos embates, talvez o mais importante da década, a sucessão do gestor atual.

Pois bem, voltemos ao ponto que parei quando me referi ao lugar OFERTADO a familiares e agregados e neo-aliados, figuras sempre presente em governos…

Observem o que ocorreu com a festa de Aniversário da cidade em setembro deste ano. Diga-se de passagem, uma das mais organizadas estruturalmente dos últimos anos em Mari. É motivo de aplauso a estrutura física e a organização, mas que foi contaminada pelo privilégio de alguns.

Camarotes caros e mau distribuídos, empresários e políticos de fora que mantém relação com “gente forte” da prefeitura conseguiram a proeza de ocuparem os melhores locais,  com ótima visibilidade para o palco, sobrando aos relés mortais, tidos como serviçais da prefeitura, mesmo comprando ao custo de R$ 2.000 (dois mil reais) um camarote o “rabo da fila dos espaços enlatados” dos já conhecidos pelo apelido de poleiros.

Quanto ao camarote do prefeito, mais parecia o Clube Atlético Sapeense, com staff de festa do abacaxi de Sapé, em detrimento de auxiliares, assessores, parlamentares e secretários, muitos deles sendo barrados na porta por que não tinham uma pulseira de acesso ao camarote mais bem servido do aniversário.

Quem acompanhou, o que não foi o meu caso,  assistiu cenas deprimentes de pessoas próximas, ferrenhos defensores da gestão e do gestor passar pelo constrangimento de ser barrado no baile de forma deselegante e truculenta por parte de seguranças pagos com o dinheiro do contribuinte.

Não! Não foi para isso que esse projeto foi gestado e construído a várias mãos!

Durante décadas fui eleitor e aliado de Adinaldo Pontes e sempre ouvi dele que “não se deixa amigo pelo caminho”; assim ele se comportou durante mais de suas três décadas de atuação política em Mari. Depois da chegada dos Martins no poder, as pessoas passaram a ser tratadas como mercadorias, massa de manobra, objeto de consumo em véspera de eleição e os que o sucedeu parece ter copiado muito rápido a má lição de um político decadente.

De Adinaldo aprendi que quando o líder chega ao poder eleva com ele seus fieis liderados/aliados e como gratidão não tem prazo de validade, ela só acaba com a morte! Adinaldo e seus ensinamentos faz falta.

Marcos Sales
Artigo para o ExpressoPB

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