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Chacina de cães em Igaracy: Profissional ouvido pela EXPRESSO afirma que sacrificar não é solução e aconselha como tratar a problemática

Publicado em quinta-feira, Maio 10, 2018 · Comentar 

Chacina de cães em Igaracy

Carnificina atraiu a atenção da mídia nacional e aqueceu o debate sobre a necessidade de cuidar dos animais como questão de saúde pública; profissional da área veterinária ouvido pela EXPRESSO, afirma que sacrificar não é a solução e aconselha como tratar a problemática

 

A cidade de Igaracy fica localizada no sertão paraibano e tem cerca de 6.500 habitantes. É de lá a polêmica envolvendo a matança de cães que ganhou repercussão a nível nacional. Trinta cachorros foram mortos pela prefeitura do município no dia 06 de março. A ordem partiu do Secretário de Saúde, José Carlos Maia, que alegou que os animais estavam abandonados nas ruas, com perfis violentos e doentes. O assunto ganhou a mídia nacional e o MP entrou no caso para apurar.

A EXPRESSO procurou entender a problemática do extermínio de cães e gatos e buscou, a partir desse episódio de Igaracy, discutir essa problemática de forma mais profunda, tanto que procurou ouvir um profissional da área, o veterinário Álvaro Lima, proprietário de uma clínica e Pet Shop na cidade de Mari, para abordar o tema.

Segundo Álvaro, pela pesquisa do IBOPE (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística) de setembro de 2000, 59 % da população brasileira possui algum tipo de animal de companhia, sendo 44 % cães, e esse crescimento em sua domesticação aumenta o número de animais encontrados em situação de abandono nas ruas. “Embora o abandono de animais seja crime previsto pela Lei Federal nº 9605/98, essa prática é muito comum”, afirma.

As causas do aumento de animais abandonados são as mais diversas, assevera o veterinário, pois as pessoas adquirem animais de estimação por impulso, sem levar em consideração que os mesmos são portadores de necessidades e direitos. Álvaro afirma que a superpopulação de animais de rua é um problema mundial e estima-se que 75% da população de cães e gatos no mundo estejam nas ruas, acarretando problemas de saúde e segurança pública, já que animais de rua podem transmitir zoonoses, provocar acidentes e problemas de proteção e bem estar animal, pois, cães e gatos errantes vivem em situações inadequadas e são vítimas de maus tratos.

Referindo-se propriamente ao caso da cidade de Igaracy, o profissional afirma que trata-se de uma política do extermínio que vem sendo aplicada, mas sem resultados práticos. “Essa pratica de extermínio é ineficaz, pois, muitos animais são sacrificados todos os anos e ainda assim a população de cães e gatos continua crescendo e os dados epidemiológicos vêm mostrando que essa “política de saúde pública” é extremamente ineficiente, cara e desastrosa”, assevera.

Para Álvaro, a castração se apresenta como uma alternativa eficaz no controle populacional de cães e gatos, pois, colabora com a redução da natalidade sem agredir os direitos e bem estar animal. “Faz-se necessário implantar programas educativos que esclareçam a população, levando a assumir seus deveres, e associar as práticas educativas a programas de vacinação, esterilização e monitoramento epidemiológico”, aconselha o veterinário Álvaro Lima.

Publicado na Edição Impressa nº 37
Abril/2018

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