O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a subir o tom contra os irmãos Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro durante reunião ministerial realizada nesta quarta-feira (3), em Brasília. Ao orientar ministros sobre as diretrizes e a postura do governo, Lula acusou os parlamentares de atuarem contra os interesses do Brasil nas relações com os Estados Unidos e classificou a conduta como “traição à pátria”.
Segundo o presidente, a atuação dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro junto ao presidente norte-americano Donald Trump teria contribuído para o agravamento das tensões diplomáticas entre os dois países, que culminaram no anúncio de novas tarifas sobre produtos exportados por empresas brasileiras para o mercado americano.
Lula afirmou que foi surpreendido pelo anúncio das novas taxas, alegando que havia negociado diretamente com Trump um prazo até o próximo dia 15 de junho para resolver divergências comerciais entre os dois países após um encontro realizado na Casa Branca.
“O que é triste é que tem brasileiros, que eu não vou citar o nome aqui, fomentando essa briga na perspectiva de que se ele taxar a gente, ele vai prejudicar uma candidatura a Presidente da República. E um imbecil desse não percebe que quem é prejudicado é o povo, não é o Lula”, declarou.
Na sequência, o presidente endureceu ainda mais as críticas e afirmou que a atitude dos parlamentares representa uma afronta aos interesses nacionais.
“Pedir uma punição ao país na perspectiva de derrotar uma candidatura ou de levar vantagem é de uma grosseria que eu não posso encontrar outro nome a não ser traição da pátria. Isso seria chamado de traição da pátria, é o que eles fizeram”, afirmou.
Lula também disse não encontrar justificativa para o comportamento dos adversários políticos.
“Não tem na Sociologia explicação para um comportamento de um grupo de irresponsáveis como esses”, acrescentou.
Governo orienta ministros a debaterem o tema publicamente
Durante a reunião, o presidente orientou os ministros a enfrentarem publicamente o que classificou como uma falsa narrativa construída pelo grupo político ligado à família Bolsonaro. Segundo ele, integrantes do governo não devem evitar o debate político sobre o tema.
“Vocês, ministros, não podem deixar de dizer isso em alto e bom som: estão tentando trair o Brasil com interesses mesquinhos, rasteiros, em uma disputa eleitoral. E não há disputa eleitoral em qualquer país do mundo que possa dar valor a alguém que traia a pátria. Alguém que é capaz de vender o seu país por interesses mesquinhos. Então, essa reunião aqui é uma arrumação de discurso para todo mundo. Ninguém tem que ter medo”, afirmou.
As declarações ampliam o embate político entre o Palácio do Planalto e a família Bolsonaro em meio às discussões sobre as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e aos desdobramentos da disputa eleitoral para 2026.
Da redação/ Com Polêmica Paraíba
Foto: Reprodução/ Polêmica Paraíba





