Em tempos em que a opinião virou alvo e o contraditório passou a incomodar setores cada vez mais intolerantes da sociedade, tive a oportunidade de provocar o encontro entre profissionais da comunicação conhecidos pelas suas posturas e posicionamentos firmes. Foi, na prática, um manifesto silencioso, porém poderoso, em defesa da liberdade de expressão, da pluralidade de ideias e do direito de pensar diferente.
Estivemos juntos, três nomes de gerações distintas da mídia dividindo experiências, visões e preocupações sobre os rumos da comunicação contemporânea: Marcos Sales, veterano do rádio e da mídia digital; Aldo Berg, editor da página Paraíba Dois Ponto Zero e eu [deixando a modéstia de lado ], voz firme e atuante no radiojornalismo. Diferentes trajetórias, diferentes estilos, diferentes leituras de mundo. Mas unidos por um princípio que deveria ser inegociável em qualquer sociedade democrática: o direito de informar e opinar sem perseguição.
Convivemos diariamente com ataques virtuais, tentativas de intimidação e campanhas de descredibilização. Essa não é uma realidade só nossa. Hoje, muitos comunicadores passaram a enfrentar não apenas o desafio de apurar fatos e informar com responsabilidade, mas também o peso de uma cultura que tenta transformar divergência em inimigo.
E talvez esteja exatamente aí a importância desse diálogo, porque imprensa livre nunca significou unanimidade. Pelo contrário. A essência do jornalismo sempre esteve na coexistência de ideias opostas, no desconforto provocado pelas perguntas difíceis e na coragem de publicar aquilo que determinados grupos prefeririam esconder.
O problema é que parte da sociedade dominante financeira e politica, passou a aceitar apenas opiniões que confirmem suas próprias convicções. Quem diverge é atacado. Quem questiona é hostilizado. Quem denuncia é perseguido. E, nesse ambiente tóxico, o jornalismo independente se torna ainda mais necessário.
A nossa conversa serviu justamente para reforçar esse compromisso. Mais do que trocar experiências profissionais, discutimos os desafios de continuar exercendo a atividade jornalística em meio ao crescimento da intolerância digital e da polarização política que contaminou até o debate público mais básico.
A liberdade de imprensa não pode existir apenas quando agrada. Ela precisa ser preservada principalmente quando incomoda.
É justamente o pensamento divergente que impede a sociedade de cair no autoritarismo silencioso da unanimidade forçada. Sem espaço para opiniões diferentes, o debate morre. E quando o debate morre, a democracia começa a adoecer.
Esse nosso encontro deixa uma mensagem importante: ainda existem vozes dispostas a defender o diálogo, a independência editorial e o direito de questionar. Em um tempo de cancelamentos instantâneos e julgamentos precipitados, isso não é pouca coisa. É resistência.
E talvez seja exatamente essa resistência que continuará mantendo vivo o verdadeiro papel da comunicação: informar, provocar reflexão e garantir que nenhuma verdade absoluta silencie o direito coletivo de pensar.
Em tempo: Nosso encontro foi testemunhado pela combativa sindicalista Severina Barbosa, que também vive a resistência dos tempos difíceis atuais.
Redação/Por Mayara Paiva – Radialista
Foto Reprodução
Para o ExpressoPB em 28/05/26
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