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EDITORIAL | Jackson faz o que muitos não tiveram coragem: cancela festa para salvar vidas e dá exemplo à Paraíba

Em tempos em que a política costuma se render ao aplauso fácil e ao calendário festivo, o prefeito de Santa Rita, Jackson Alvino, escolheu o caminho mais difícil e, justamente por isso, o mais digno.

Cancelar os festejos juninos nunca seria uma decisão popular. É o tipo de medida que desagrada setores da economia, frustra expectativas e inevitavelmente gera críticas. Mas governar não é disputar concurso de popularidade. Governar é, sobretudo, saber eleger prioridades. E, diante da dor de famílias desalojadas, de casas invadidas pela água e de vidas viradas do avesso pelas chuvas, não havia prioridade maior que o socorro humano.

Jackson acertou. E acertou grande.

Enquanto alguns ainda tentavam sustentar o discurso de que seria possível “conciliar” festa e emergência [ como se fosse razoável dividir atenção entre o palco e o abrigo, entre o cachê milionário e o colchão de quem perdeu tudo ] Santa Rita recebeu um gesto de responsabilidade pública raro em nossos tempos: o de um gestor que decidiu cortar na própria agenda política para atender ao sofrimento do seu povo.

Não é a primeira vez que o EXPRESSO levanta essa bandeira.

Em 2023, este portal questionou, em editorial, a contradição de prefeitos que alegavam crise financeira para justificar demissões de trabalhadores humildes, enquanto preservavam privilégios e cargos de confiança. Antes disso, em 2022, denunciamos “a máquina dos eventos que mói as finanças dos pequenos municípios”, um sistema perverso em que milhões eram despejados em shows e estruturas temporárias, enquanto faltavam medicamentos, água e dignidade em muitas cidades paraibanas.

A história mostrou que estávamos certos.

E agora, mais uma vez, a realidade confirma que há momentos em que governar exige renúncia.

Jackson Alvino compreendeu isso. Entendeu que, em tempos de calamidade, o verdadeiro espetáculo não está no palco iluminado, mas no gesto silencioso de estender a mão a quem sofre. Está no alimento entregue, no abrigo improvisado, na assistência garantida, no abraço institucional que devolve esperança a quem perdeu quase tudo.

Seu gesto não diminui o São João. Pelo contrário: engrandece-o.

Porque festa nenhuma pode ser maior que a vida.

Santa Rita hoje não celebra apenas uma decisão administrativa. Celebra uma lição política. Uma lição que muitos prefeitos paraibanos deveriam observar com humildade: há momentos em que governar é ter coragem de dizer “não” ao aplauso imediato para garantir o que realmente importa.

Jackson disse esse “não”.

E, ao fazê-lo, disse um sonoro “sim” à dignidade humana.

Editorial / ExpressoPB – 20/05/2026

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