Um relatório detalhado da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) aponta que o ex-presidente Juscelino Kubitschek não foi vítima de uma fatalidade, mas sim assassinado pelo regime militar em 1976. Em 22 de agosto de 1976, o ex-presidente Juscelino Kubitschek viajava de carro pela Via Dutra (BR-116) entre o Rio de Janeiro e São Paulo, quando o veículo saiu da pista e posteriormente colidiu de frente com uma carreta.
O documento, com mais de 5 mil páginas, contesta a versão dada pelo Governo Militar. Na época foi dito que o Opala que era dirigido pelo motorista e amigo de JK, Geraldo Ribeiro, não bateu no ônibus antes de cruzar as pistas e colidir com uma carreta. De acordo com o relatório, “é impossível afirmar ou descartar a hipótese de atentado”, de acordo com a Folha de São Paulo.
Juscelino Kubistchek governou o Brasil entre 1956 e 1961, período que, sob o lema “50 anos em 5”, ficou marcado por grandes obras, como a construção de Brasília, inaugurada em abril de 1960. Em 1961, foi eleito senador, mas teve o mandato cassado após o golpe militar de 1964. A morte dele, na Via Dutra, nunca foi esclarecida.
A hipótese que move a elaboração desse relatório aponta para um atentado político orquestrado, em um momento em que JK articulava a redemocratização do país através da Frente Ampla.
As Evidências do Relatório
A historiadora Maria Cecília Adão, relatora do caso, reuniu perícias independentes, documentos de comissões da verdade estaduais e novos testemunhos que apontam graves inconsistências na narrativa oficial da época.
O relatório indica que houve uma intervenção externa que provocou a saída do veículo (o Opala de JK) da pista, levando à colisão com uma carreta. O texto contextualiza a morte de Juscelino no âmbito da Operação Condor, dentro da cooperação repressiva entre as ditaduras da América do Sul para eliminar opositores influentes.
Para a relatora, não existem elementos materiais que amparem a versão de perda de controle espontânea do automóvel.
O relatório de Maria Cecília Adão está sob análise dos demais conselheiros do CEMDP e deve ser apreciado no próximo encontro do grupo, sem data marcada. O órgão foi criado em 1995, pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, para reconhecer mortos e desaparecidos em decorrência da repressão política, identificar corpos e subsidiar ações de parentes das vítimas contra o Estado.
Reação da Família e do Memorial JK
A neta do ex-presidente e presidente do Memorial JK, Anna Christina Kubitschek, afirmou que a conclusão é um passo significativo para a transparência do país. “O Brasil precisa enfrentar sua história com coragem. Caso a CEMDP conclua oficialmente que JK foi vítima de um atentado, será um reconhecimento histórico necessário para todas as vítimas da violência do Estado”, destacou.
Em 1976, JK havia recuperado seus direitos políticos e era uma das lideranças mais populares do Brasil. Sua morte ocorreu apenas nove meses após a de Vladimir Herzog e pouco antes da morte de João Goulart, em circunstâncias também suspeitas.
Da redação/ Com Click PB
Foto: Reprodução/ Arquivo





