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ANÁLISE | Base governista fecha fileiras e mira Jhony em CG: ex-secretário vira alvo político após rompimento

Se o ex-secretário de Saúde da Paraíba, Jhony Bezerra, imaginava encontrar um cenário de calmaria política após se afastar da base governista, os primeiros movimentos da semana indicam exatamente o contrário. O clima é de enfrentamento aberto e a artilharia parece ter sido montada de forma coordenada. Bezerra declarou apoio a pré-candidatura de Cícero ao Governo da Paraíba.

Nos bastidores e nas declarações públicas, o que se percebe é um cerco político cada vez mais evidente. Desde o anúncio de sua decisão, no início da semana, Jhony passou a ser alvo de críticas vindas de setores ligados ao governo estadual em Campina Grande, cidade onde o ex-secretário construiu seu principal capital eleitoral.

Os ataques não ficaram apenas no campo das especulações ou comentários de bastidores. Nas últimas horas, nomes com peso na política local foram escalados para rebater o ex-auxiliar do governo. Entre eles, o deputado estadual Inácio Falcão (PCdoB) e a vereadora Valéria Aragão (Republicanos), ambos com discurso alinhado ao Palácio da Redenção.

Além das declarações políticas, há também sinais de movimentação institucional. A estrutura de comunicação do governo tem atuado de forma intensa na narrativa pública, ampliando críticas e reforçando a ideia de que o ex-secretário teria inflado seu desempenho eleitoral em 2024 quando disputou a prefeitura da ‘Rainha da Borborema’, graças ao apoio da máquina estadual.

A disputa pela narrativa

O eixo central dos ataques segue uma linha estratégica clara: reduzir o peso político próprio de Jhony em Campina Grande, esvaziando suas bases e apoios de lideranças, não só em Campina mas também fora dela. .

Os aliados governistas insistem em afirmar que a expressiva votação obtida por ele na disputa pela prefeitura não teria sido resultado de liderança pessoal ou construção política independente. Pelo contrário, segundo essa leitura, o desempenho nas urnas teria sido impulsionado principalmente pelo apoio do governo estadual e pela mobilização de aliados da base.

Na prática, trata-se de uma disputa clássica pela narrativa política. De um lado, o grupo governista tenta consolidar a versão de que o capital eleitoral pertence ao projeto político do Palácio. Do outro, Jhony precisará demonstrar que possui densidade política própria, algo essencial para qualquer projeto futuro.

Silêncio estratégico ou dificuldade de reação?

Outro elemento que chama atenção nesse embate é o ritmo da resposta. Até agora, Jhony Bezerra não conseguiu apresentar uma reação pública com a mesma intensidade das críticas que tem recebido.

No ambiente político, silêncio pode ser interpretado de várias maneiras. Pode ser estratégia, cautela ou simplesmente dificuldade de reorganizar forças após o rompimento.

O fato é que, enquanto a reação não vem, o espaço está sendo ocupado pelos adversários, inclusive por antigos aliados.

O que está em jogo

Por trás das críticas públicas existe algo maior do que simples divergência política: a disputa pela liderança do campo governista em Campina Grande.

A cidade, segundo maior colégio eleitoral da Paraíba, sempre foi terreno estratégico para qualquer projeto estadual. Controlar a narrativa política e a liderança local significa ter vantagem em futuras eleições, sejam municipais ou estaduais.

Nesse tabuleiro, Jhony Bezerra parece ter deixado de ser peça do grupo governista para se tornar um adversário em potencial.

E quando a política identifica um possível adversário competitivo, a regra costuma ser clara: neutralizar antes que cresça.

Se a ofensiva atual é apenas um recado político ou o início de um confronto mais amplo, só os próximos capítulos dirão. Mas uma coisa já parece evidente: a calmaria que Jhony esperava definitivamente não chegou.

Redação/ExpressoPB
Foto Reprodução 

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