O calendário eleitoral avança e, com ele, crescem as articulações, os gestos calculados e os silêncios eloquentes. Em Belém, no Agreste paraibano, uma pergunta ecoa nos bastidores da política local: qual será o palanque da ex-prefeita Dra. Renata nas eleições estaduais de 2026?
A análise é do articulista Jackson Leandro, do Portal do Brejo em sua coluna Pensamentos, que observa uma conjuntura marcada por alianças já encaminhadas e um único núcleo político ainda envolto em incertezas: o casal de ex-prefeitos Roberto Flávio e Renata Cristinne.
Cenário já desenhado, menos para um grupo
De um lado, os movimentos parecem consolidados. O grupo da prefeita Aline Barbosa (MDB) e o da ex-vereadora Mirelly Kalinier (Republicanos) caminham, segundo o articulista, para apoiar a pré-candidatura do vice-governador Lucas Ribeiro (PP) ao Governo da Paraíba.
Do outro lado, permanece a interrogação.
Dra. Renata, que disputou as eleições municipais de 2024 e terminou em terceiro lugar, com 1.146 votos (10,80%), mantém, ao lado do esposo, forte influência na estrutura estadual em Belém, especialmente nas indicações de cargos vinculados ao governo.
A lógica partidária indicaria um caminho natural: o casal é filiado ao PSB, legenda do governador João Azevêdo, que deixará o cargo em abril para disputar o Senado. Com isso, Lucas Ribeiro assumirá o comando do Estado e se tornará candidato natural à reeleição.
Mas política raramente é apenas lógica.
Os fatos que embaralham o jogo
Jackson Leandro destaca dois episódios que alteraram o tabuleiro: o primeiro envolve o deputado estadual Hervázio Bezerra (PSB), aliado do casal, que declarou apoio ao prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), pré-candidato ao Governo pelo campo da oposição. O filho de Hervázio, Léo Bezerra, atual vice-prefeito da capital, deve assumir a prefeitura com a renúncia de Cícero e coordenar a campanha do pai político.
O segundo ponto envolve o deputado federal Gervásio Maia, outro nome ligado ao grupo, que estaria avaliando uma possível filiação ao MDB, movimento que o aproximaria ainda mais do projeto de Cícero.
Se confirmadas, essas movimentações colocam Dra. Renata e Roberto Flávio numa situação delicada: seguir a estrutura partidária e manter alinhamento com o governo estadual ou acompanhar seus principais aliados rumo à oposição?
Sinais silenciosos e gestos interpretados
Na política, o silêncio também comunica. O articulista observa que a ex-prefeita reduziu consideravelmente as publicações em suas redes sociais relacionadas ao Governo do Estado. Outro episódio citado teria ocorrido durante visita do governador João Azevêdo a Belém, quando populares relataram que Renata teria sido ignorada pelo chefe do Executivo estadual, que estaria insatisfeito com o desempenho político do grupo no município.
Há ainda o registro de que, no ano passado, já com a pré-candidatura estadual em curso, Cícero Lucena foi recebido na residência do casal, gesto interpretado por muitos como um aceno antecipado.
Estratégia ou indecisão?
Nos bastidores, há quem aposte que Dra. Renata buscará ganhar tempo. A tese é de que a decisão oficial só viria após julho, quando o calendário eleitoral impõe restrições administrativas, especialmente quanto ao encerramento de contratos, o que poderia impactar cargos atualmente indicados pelo grupo.
A dúvida que paira é estratégica: Lucas Ribeiro, ao assumir o governo em abril, aguardará até julho por um posicionamento formal?
E há outra variável. Segundo interlocutores citados por Jackson Leandro, Cícero Lucena também não demonstraria entusiasmo absoluto com um eventual apoio do casal, talvez avaliando o peso eleitoral do grupo após o resultado de 2024.
Um desfecho que definirá o futuro político em Belém
O fato é que, em Belém, as peças já começaram a se mover. Alguns grupos escolheram seus lados. Outros caminham sob cautela.
Dra. Renata, figura central do debate político local nos últimos anos, encontra-se agora diante de uma decisão que pode redefinir seu espaço no cenário estadual e sua própria sobrevivência política.
Como conclui Jackson Leandro, o desfecho não deve tardar. E quando vier, não será apenas uma declaração de apoio. Será uma sinalização clara sobre qual projeto o casal pretende integrar: governo ou oposição.
A política belenense, mais uma vez, entra em contagem regressiva.
Aguarde os próximos capítulos.
Redação/ExpressoPB
Foto Reprodução





