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ANÁLISE | Nabor não decola

A disputa pelas duas vagas ao Senado Federal na Paraíba começa a ganhar contornos mais nítidos, e um dado tem se repetido de forma insistente nas pesquisas de intenção de voto: as últimas de 2025 apontam o fraco desempenho do prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos). Apesar do esforço visível para se viabilizar politicamente em âmbito estadual, o pai do deputado federal Hugo Motta segue ocupando a terceira colocação, atrás de João Azevêdo (PSB) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB), nomes que vem se consolidando como favoritos na corrida.

Esforço político não se traduz em números

Não se pode dizer que Nabor Wanderley esteja parado. Pelo contrário. O prefeito patoense tem intensificado agendas, ampliado articulações e usado o peso político do filho [um dos parlamentares mais influentes do Congresso Nacional] como trunfo para alçar voos mais altos. No entanto, o empenho não tem se convertido em crescimento nas pesquisas.

Levantamento após levantamento, o cenário se repete: João Azevêdo lidera com folga, seguido por Veneziano, enquanto Nabor aparece logo atrás, sem conseguir romper a barreira que o separa do pelotão da frente. A constância desse resultado acende um sinal de alerta para o grupo político do prefeito de Patos.

Limitações regionais e baixa capilaridade estadual

Analistas avaliam que um dos principais entraves ao avanço de Nabor Wanderley é sua forte associação à política regional, com maior influência concentrada no Sertão. Diferentemente de João Azevêdo, que governa o Estado e construiu uma imagem administrativa de alcance estadual, e de Veneziano, ex-prefeito de Campina Grande e senador com atuação nacional, Nabor ainda enfrenta dificuldades para se tornar conhecido e competitivo fora de sua base.

Além disso, o eleitor paraibano parece inclinado a optar por nomes já testados em disputas majoritárias de grande porte, o que reforça a vantagem dos dois primeiros colocados.

João e Veneziano dominam o cenário

Enquanto Nabor tenta ganhar musculatura política, João Azevêdo e Veneziano Vital do Rêgo seguem firmes, ocupando as duas vagas projetadas para o Senado. João capitaliza a visibilidade e o legado de sua gestão à frente do Governo do Estado, enquanto Veneziano mantém recall eleitoral elevado e trânsito em diversos campos políticos.

Esse domínio cria um ambiente adverso para terceiros nomes, tornando a disputa ainda mais difícil para quem precisa crescer rápido — algo que, até agora, Nabor não conseguiu demonstrar.

Um projeto em xeque

A realidade apontada pelas pesquisas sugere que, se não houver uma mudança significativa de estratégia ou um fato político novo capaz de alterar o tabuleiro, o projeto senatorial de Nabor Wanderley corre sério risco de naufragar antes mesmo de decolar. A insistência na terceira posição indica não apenas dificuldade de crescimento, mas também resistência do eleitorado em enxergá-lo como opção viável para o Senado.

Em política, esforço é fundamental, mas sem respaldo popular, ele não basta. E, no momento, os números mostram que a corrida de Nabor Wanderley pelo Senado segue marcada mais por tentativa do que por competitividade real.

Redação/ExpressoPB
Foto Reprodução 

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