A trajetória recente de Pollyanna Werton tem sido marcada por uma sequência de obstáculos que ajudam a explicar o momento de instabilidade vivido pela ex-deputada estadual. Se a política é feita de movimentos, alianças e ocupação de espaços, os últimos meses mostraram justamente o contrário: perdas de terreno, redução de influência e um cenário de crescente incerteza.
A mudança de governo trouxe consigo a inevitável dança das cadeiras na administração estadual. Nesse processo, Pollyanna travou uma disputa interna para permanecer com influência à frente da Secretaria de Desenvolvimento Humano, mas acabou derrotada. A ascensão de aliada da deputada Cida Ramos ao posto representou mais do que uma simples troca de comando: foi um sinal claro de que o peso político da ex-secretária já não era o mesmo dentro do grupo governista.
Como se não bastasse, a troca do PSB pelo PP provocou ruídos importantes. A decisão, que buscava abrir novos caminhos políticos, acabou gerando desgastes com antigos aliados. Entre eles, o próprio ex-governador João Azevêdo, que não escondeu o desconforto com a mudança partidária. Nos bastidores, a leitura foi de que a relação, antes próxima, sofreu abalos difíceis de ignorar.
Mas talvez o episódio mais simbólico tenha ocorrido em Pombal, principal reduto eleitoral de Pollyanna na noite da sexta-feira (05). Durante o Orçamento Democrático Estadual, a ex-deputada viu-se obrigada a compartilhar o mesmo espaço político com o ex-prefeito Verissinho, seu histórico adversário local. Em política, imagens falam tanto quanto discursos, e a cena deixou evidente uma nova correlação de forças no município.
Mais do que dividir uma mesa institucional, Pollyanna passa a conviver com a perspectiva de dividir influência, espaços administrativos e protagonismo político justamente onde construiu sua principal base eleitoral. É uma realidade que poucos anos atrás parecia improvável.
O problema, porém, vai além dos gestos simbólicos. O desafio mais delicado está na manutenção de suas bases. Lideranças locais e aliados costumam seguir projetos que demonstram viabilidade eleitoral e perspectiva de crescimento. Quando surgem dúvidas sobre o futuro de uma candidatura, o movimento natural da política é a migração para alternativas consideradas mais competitivas.
É nesse ponto que reside a maior preocupação para Pollyanna. Sem mandato, fora do primeiro escalão do governo e enfrentando concorrência crescente em seus redutos, a ex-deputada entra em uma fase decisiva de sua carreira. O capital político acumulado ao longo dos anos ainda existe, mas precisará ser reorganizado rapidamente para evitar novas perdas.
A política paraibana é dinâmica e costuma oferecer oportunidades de recuperação para quem consegue reinventar seu discurso e reconstruir alianças. No entanto, o cenário atual mostra que Pollyanna Werton atravessa um dos períodos mais delicados de sua trajetória pública. E, neste momento, os reveses parecem superar as vitórias.
O desafio agora não é apenas voltar a crescer politicamente. É provar que ainda possui espaço relevante em um tabuleiro que mudou rapidamente e que não costuma esperar por quem perde tempo para reagir.
Redação/ExpressoPB
Foto Reprodução





