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ANÁLISE | Card de internet não é sentença. A verdade é que alguém precisou ter coragem de decidir

Circula nas redes uma imagem com o título “Vereadores contra o povo”, colocando as vereadoras Nice do Assentamento, Vânia de Zú, Kecinha de Osimar e os vereadores Diêgo de Sapinho e Ronaldinho como se eles tivessem “traído” os professores e “votado contra a população”. Esse tipo de card é forte no impacto, mas fraco na verdade, porque simplifica um assunto sério e transforma uma decisão legislativa em ataque pessoal.

O reajuste que estava na Câmara era de 6%, enviado pelo Executivo. A tentativa de elevar para 7% foi feita por emenda verbal, na hora da votação. E aí está o ponto que o card não diz: rejeitar “7% na hora” não prova má vontade. Pode significar simplesmente cautela para não transformar um tema importante num improviso.

O projeto estava na Câmara desde março e teve 3 votações frustradas, gerando desgaste para todo mundo: professores, vereadores e gestão. Em momentos assim, uma das bases do mandato é ter coragem de decidir, mesmo sabendo que será aplaudido por uns e atacado por outros.

A votação que aprovou o reajuste de 6% encerrou um impasse que já estava criando tensão política e administrativa. Isso não encerra a luta do magistério por melhorias, mas impede que a cidade fique travada em um “empurra-empurra” infinito.

Reajuste de professor não é tema para “lacração”. É tema sensível, que mexe com dignidade, orçamento e estabilidade do serviço público. A função do Legislativo é exatamente esta: cobrar, questionar, propor e decidir. E decidir, muitas vezes, é escolher o caminho que resolve naquele momento, sem transformar a categoria em instrumento de guerra política.

Nada impede que, em outra oportunidade, esses mesmos parlamentares defendam outro percentual ou outro formato. É assim que o Legislativo funciona. Posições podem mudar conforme o debate, os números e as condições reais de execução.

A frase “o povo não esquece” tenta colar uma marca definitiva em cima de cinco vereadores, como se o caso fosse simples, mas política pública não é assim. Às vezes, o correto é aprovar o que está viável agora e continuar a negociação por outras frentes, inclusive com cobrança de melhorias, recomposição futura e novas pautas para a educação.

O que a imagem faz é reduzir um processo complexo a uma acusação direta. Só que o papel do vereador não é agradar card de rede social. É agir com responsabilidade, mesmo quando a decisão divide opiniões.

A luta dos professores pode e deve continuar, com organização e debate. Mas transformar uma votação em “tribunal moral” não melhora salário, não resolve impasse e só aumenta o conflito.

Redação/ExpressoPB
Foto Reprodução 

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