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OPINIÃO | Por Manuel Batista – HOSANA HOJE, CRUCIFICA AMANHÃ: A lição de Jerusalém para quem lidera hoje

Quando Jesus entrou em Jerusalém, o povo o recebeu como quem recebe um libertador político. “Hosana!”, gritavam, “salva-nos, por favor”. Muita gente acreditava que ele vinha para derrubar o poder da época, tomar o controle e instalar um novo governo. Era uma expectativa de força, de comando, de vitória visível.

Mas, aos poucos, ficou claro que o reino que Jesus anunciava não era o trono que o povo imaginava. Ele não veio para agradar a sede de poder de ninguém. E quando a multidão percebeu que não haveria a “revolução política” que desejava, a admiração virou frustração. A frustração virou raiva. A raiva virou traição.

Judas é o retrato de um tipo humano que ainda existe. É o que anda ao lado enquanto acredita que vai ganhar espaço, cargo, influência. Quando percebe que não haverá vantagem, muda de lado. Não por causa da verdade, mas por causa do interesse. Troca lealdade por moedas. E o mais doloroso é que, junto com ele, vem a multidão que muda de grito com a mesma rapidez: no domingo, “hosana”; na sexta, “crucifica”.

Isso não ficou no passado. Isso acontece hoje, todos os dias, com outra roupa e outro cenário. Muitos líderes são aclamados nas urnas com esperança, carinho e promessa de mudança. Mas, se ao assumir não demonstram firmeza, direção e autoridade, rapidamente viram alvo do próprio povo que os colocou ali, e, principalmente, daqueles que estavam “do lado” só por conveniência.

O problema não é o governante errar. Todo governante erra. O problema é parecer fraco. Porque a política, e a humanidade, muitas vezes não perdoa quem deixa dúvidas sobre quem manda. Quando a liderança hesita demais, quando tenta agradar a todos, quando evita decisões difíceis, ela abre espaço para o desrespeito. E quando o desrespeito começa, ele cresce. Vem primeiro como “cobrança”. Depois vira “pressão”. Depois vira “traição”. E, por fim, vira tentativa de derrubada.

Por isso, há um alerta que não pode ser ignorado: quem foi eleito precisa governar de verdade. Não pode viver como refém da base, nem como prisioneiro de acordos. Precisa decidir, colocar limites, organizar a casa, separar amizade de governo, interesse de dever. Precisa sustentar a autoridade com serenidade, mas com clareza. Porque se não ocupar o lugar de governante, outros ocuparão, e quase sempre com intenções menores.

A história ensina: há quem te aplauda enquanto imagina que você será o “salvador” do seu interesse. Mas, se você não assumir o comando, os mesmos que te empurraram para o alto podem ser os primeiros a puxar para baixo.
E a pergunta que fica para qualquer governante é simples e dura: você vai governar ou vai apenas ocupar a cadeira até que resolvam tirá-la de você?

Manuel Batista – Autor

Redação/Por Manuel Batista – Escritor, ativista cultural, servidor público
Foto Reprodução

 


Este texto é de responsabilidade de seu autor, reproduzido do Instagram e autorizada a sua republicação pelo ExpressoPB.net.

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