Hoje, Marí vivencia um sentimento difícil de explicar: uma mistura de orgulho, emoção e silêncio. Padre Elias Sales, filho desta cidade, foi eleito Administrador Diocesano da Diocese de Guarabira, após a vacância deixada com a nomeação de Dom Aldemiro Sena para uma diocese na Bahia. E, quando a Igreja chama, a vida do padre muda de novo, não por vaidade, mas por serviço.
Eu lembro bem do que escrevi em fevereiro, naquele texto sobre “o olhar que disse tudo”. E eu repito: Padre Elias não é homem de barulho. Ele fala com presença, com firmeza serena, com aquela responsabilidade que não precisa de propaganda. Agora, esse mesmo padre, que já tinha assumido a paróquia da cidade onde nasceu, recebe mais uma missão. Uma missão maior, mais exigente, mais delicada. E o que mais chama atenção é isso: ele poderia ter recusado. Poderia ter escolhido o conforto do “já estou onde devo estar”. Mas preferiu fazer o que sempre fez: aceitar o chamado.
Ser Administrador Diocesano não é título bonito para enfeitar currículo. É peso. É cuidado. É conduzir a diocese em tempo de transição, com equilíbrio, prudência e coragem. É segurar a mão do povo e do clero enquanto a Igreja reorganiza os passos. E saber que, nesse período, não se governa para si, se governa para manter a casa em paz, para preservar a unidade, para garantir que a fé não se perca no meio da mudança.
Marí, hoje, olha para Guarabira e se reconhece ali. Porque quando um filho da terra assume uma missão assim, não é só ele que sobe. A cidade inteira sobe junto, em oração. A gente se orgulha não apenas pelo cargo, mas pelo homem que ele continua sendo: simples, sério, comprometido. Um padre que não escolhe missão pela facilidade, escolhe pela responsabilidade.
E eu fico pensando: há pessoas que crescem quando a vida as aplaude. Padre Elias cresce quando a vida o chama. Não é sobre “chegar lá”. É sobre continuar servindo, mesmo quando o caminho fica mais pesado. E é justamente por isso que Marí se sente representada: porque ele leva no coração o que aprendeu aqui, a fé do povo, o respeito, a humildade e a firmeza.
Que Deus o fortaleça. Que a Diocese de Guarabira o acolha. E que Marí siga fazendo o que sabe fazer de melhor quando se trata dos seus: rezar, torcer e reconhecer.
Porque hoje, mais do que uma eleição, aconteceu uma confirmação: o olhar dele ainda diz tudo.

Redação/Por Manuel Batista – Escritor, ativista cultural, servidor público
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