Problema frequente no dia a dia, a flatulência pode ser apenas reflexo da alimentação — mas também um sinal silencioso de que algo não vai bem no intestino
O desconforto abdominal, o inchaço e até o constrangimento social fazem parte da rotina de quem sofre com excesso de gases. Embora muitas vezes tratado com humor, o sintoma pode revelar muito mais do que um simples incômodo passageiro. Especialistas alertam: em alguns casos, ele é o primeiro sinal de desequilíbrios no organismo.
De acordo com reportagem do Metrópoles, a produção de gases é um processo natural do corpo humano, resultado direto da digestão dos alimentos e da ação da microbiota intestinal. No entanto, mudanças na frequência, intensidade ou nos sintomas associados merecem atenção.
A gastroenterologista Debora Poli explica que a quantidade de gases varia conforme a dieta e o funcionamento intestinal de cada pessoa. Ainda assim, quando o quadro se torna frequente ou incômodo, pode indicar desde hábitos inadequados até condições clínicas mais complexas.
Alimentação e hábitos: os principais vilões
A rotina moderna tem forte influência no aumento dos gases. Comer rápido, falar durante as refeições ou mascar chicletes são atitudes aparentemente inofensivas, mas que favorecem a ingestão de ar — um dos fatores que ampliam a produção de gases.
Além disso, alimentos fermentáveis, como feijão, couve e repolho, e o consumo excessivo de gorduras, doces e bebidas gaseificadas também entram na lista de responsáveis. O sedentarismo e o consumo de ultraprocessados agravam ainda mais o cenário.
Segundo especialistas, eliminar gases entre 10 e 20 vezes por dia é considerado normal. Fora desse padrão, especialmente com sintomas adicionais, o alerta deve ser ligado.
Quando o excesso de gases pode indicar doença
Apesar de comum, o problema pode estar associado a condições específicas. Intolerâncias alimentares — como à lactose — estão entre as causas mais frequentes, provocando fermentação no intestino e aumento da produção de gases.
Outros quadros também podem estar relacionados, como:
- Doença celíaca (intolerância ao glúten);
- Síndrome do intestino irritável;
- Alterações na microbiota intestinal;
- Infecções digestivas;
- Uso de determinados medicamentos.
Em situações mais raras, o sintoma pode estar ligado a doenças inflamatórias intestinais ou até tumores, o que reforça a importância da avaliação médica.
Sinais de alerta que não devem ser ignorados
Nem todo gás é inofensivo. Alguns sintomas associados indicam que é hora de procurar um especialista:
- Perda de peso sem explicação;
- Presença de sangue nas fezes;
- Dor abdominal intensa;
- Distensão abdominal persistente;
- Alterações no hábito intestinal;
- Anemia ou mudanças em exames laboratoriais.
Nesses casos, o diagnóstico pode envolver exames como endoscopia, colonoscopia e testes específicos para investigar intolerâncias ou supercrescimento bacteriano.
Como reduzir os gases no dia a dia
Embora nem sempre seja possível evitar totalmente o problema, mudanças simples podem ajudar a controlar os sintomas:
- Mastigar bem e comer devagar;
- Evitar refrigerantes e bebidas gaseificadas;
- Reduzir alimentos que causam fermentação;
- Praticar atividades físicas regularmente;
- Identificar possíveis intolerâncias alimentares.
Um sintoma simples que merece atenção
O excesso de gases pode parecer trivial, mas não deve ser ignorado quando se torna frequente ou incapacitante. Como destaca a reportagem do Metrópoles, o desconforto pode ser apenas reflexo da dieta — ou o primeiro sinal de que algo mais sério está acontecendo no sistema digestivo.
Redação/ExpressoPB
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