A política é implacável com quem perde o controle do poder. E, na Paraíba, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) vive exatamente esse momento: um processo acelerado de esvaziamento que vai muito além da troca de siglas, é um sintoma claro de perda de influência.
Na balança eleitoral do recente troca-troca partidário, o PSB não apenas saiu menor. Saiu enfraquecido em todas as frentes: política, administrativa e eleitoral. A perda do comando do Governo do Estado abriu uma espécie de “efeito dominó”, em que lideranças, muitas delas com mandato, passaram a buscar abrigo em legendas com maior perspectiva de poder e sobrevivência.
O movimento não é casual. Deputados estaduais, federais e quadros estratégicos entenderam rapidamente o novo desenho de forças. Em política, permanecer onde não há perspectiva de comando é, quase sempre, sinônimo de isolamento. E ninguém quer disputar eleição carregando o peso da incerteza.
O que se vê é um cenário raro [ e duro ] para um partido que, até pouco tempo, era o epicentro das decisões no estado. A queda foi brusca. E simbólica. O PSB, que ocupava o Palácio e ditava o ritmo da máquina pública, agora observa, à distância, a reorganização do tabuleiro.
Não se trata apenas de perda numérica de filiados. Trata-se de algo mais profundo: a perda de densidade política. Sem musculatura institucional e com a base fragmentada, o partido enfrenta o desafio de reconstruir sua identidade e relevância, tarefa que, convenhamos, não se resolve no curto prazo.
O velho ditado popular, tão recorrente nos bastidores, ecoa com força neste momento: “rei deposto, rei morto” e a imagem que acompanha esse texto fala mais que ele próprio, inclusive circulou bastante desde a última quinta-feira (02). Na prática, significa que o poder, quando escorre pelas mãos, leva junto aliados, projetos e, muitas vezes, o protagonismo.
Ainda assim, há um ponto de atenção que merece cautela. Todo esse esvaziamento não pode [ ou não deveria ] contaminar diretamente o projeto político do ex-governador João Azevêdo. Embora vinculado à sigla, João construiu capital político próprio e precisará, mais do que nunca, dissociar sua imagem da crise partidária para manter competitividade.
O desafio está posto: enquanto o PSB tenta sobreviver ao seu momento mais delicado na história recente da Paraíba, suas principais lideranças terão que provar que ainda há fôlego político fora da sombra do poder.
E, na política, como se sabe, quem não se reinventa… desaparece.
Redação/ExpressoPB
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