Após oito anos à frente da Diocese de Guarabira, líder religioso emociona fiéis em celebração que reuniu multidão e reforçou seu legado de fé, proximidade e transformação no Brejo paraibano
A quarta-feira, 25 de março, não foi apenas mais uma data no calendário litúrgico. Tornou-se um capítulo carregado de emoção, memória e fé viva na história do Brejo paraibano. Dentro da Catedral de Nossa Senhora da Luz, o silêncio respeitoso misturava-se ao choro contido, aos olhares agradecidos e aos gestos de despedida. Era o fim de um ciclo. Era o adeus de um pastor que, mais do que conduzir, aprendeu a caminhar junto. EXPRESSO acompanhou nos bastidores a cerimônia de despedida do líder religioso guarabirense e brejeiro para observar o sentimento das pessoas e pôde atestar que a saída de Dom Aldemiro Sena dos Santos do cargo de bispo diocesano de Guarabira não se resumiu a uma formalidade eclesiástica. Foi, sobretudo, a despedida de alguém que construiu vínculos profundos com seu povo, laços que ultrapassaram o altar e se firmaram no cotidiano, nas visitas, nas palavras e no acolhimento.
Durante a celebração, a fé se expressou em cada detalhe. O templo, tomado por centenas de fiéis, parecia pulsar junto à emoção coletiva. Entre orações e cânticos, o sentimento era unânime: gratidão.

Um legado que ultrapassa o púlpito
Não foram apenas os ritos que marcaram a cerimônia. Foram as histórias. As lembranças. Os gestos que, ao longo de oito anos, transformaram a presença de Dom Aldemiro em algo maior que sua função episcopal.
Autoridades civis e religiosas também fizeram questão de estar presentes. O deputado estadual Tião Gomes, representando a Assembleia Legislativa, destacou a relevância do bispo para a região e relembrou a relação de amizade construída ao longo dos anos.
“Dom Aldemiro é mais que um líder religioso, é um amigo. Sua forma simples, humana e comprometida de conduzir a Igreja fez toda a diferença na Diocese de Guarabira. Ele levou fé, esperança e amor ao povo e deixa um legado que permanecerá vivo por muito tempo” (Tião Gomes).
Já a prefeita de Guarabira, Léa Toscano, resumiu em palavras simples o sentimento coletivo: reconhecimento. Em seu discurso, agradeceu pela dedicação de Dom Aldemiro à comunidade católica e ao povo do Brejo, ressaltando o impacto de sua atuação pastoral.
PRA NÃO ESQUECER:
Nova missão, mesma vocação
A despedida carrega também um recomeço. Nomeado pelo Papa Leão XIV, Dom Aldemiro seguirá para a Diocese de Teixeira de Freitas–Caravelas, na Bahia. Uma nova missão, em outro território, mas com a mesma essência: servir.
Sua trajetória até aqui é marcada por uma caminhada sólida dentro da Igreja. Formado em Filosofia e Teologia pelo Instituto de Teologia de Ilhéus, foi ordenado sacerdote em 1992, iniciando uma jornada de dedicação contínua à vida pastoral.
Passou por diversas paróquias, assumiu funções formativas, liderou comunidades e exerceu papéis estratégicos dentro da Igreja, incluindo sua atuação no regional Nordeste III da CNBB. Antes de chegar a Guarabira, já era reconhecido por sua capacidade de diálogo, liderança e proximidade com os fiéis.
Em 2017, foi nomeado bispo da Diocese de Guarabira, iniciando um ciclo que agora se encerra com marcas profundas — não apenas administrativas, mas humanas.

Um adeus que não é fim
Ao final da celebração, entre aplausos longos e emocionados, ficou evidente: Dom Aldemiro parte, mas não se ausenta completamente. Sua presença permanece nas comunidades que fortaleceu, nas pessoas que acolheu e nas histórias que ajudou a escrever.
Guarabira se despede com o coração apertado, mas também com a certeza de que foi palco de uma missão que tocou vidas e que continuará ecoando, agora em terras baianas.
Porque alguns líderes passam. Outros permanecem. Mesmo quando seguem adiante.
ACIMA : Entrada de Dom Aldemiro na Diocese de Guarabira pela cidade de Marí, Paróquia do Sagrado Coração de Jesus e São Sebastião, porta de entrada da diocese.
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Redação/ExpressoPB – Especial RELIGIÃO
Foto Reprodução: Arquivo/Diocese – Redes Sociais





