A soldado da PM Gisele Alves Santana, vítima de feminicídio, revelou aos colegas de trabalho que se sentia sufocada e controlada pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. Gisele, de 32 anos, teria perguntado a uma amiga se ela acreditava que Neto “teria coragem de matá-la”. A denúncia de coação emocional foi reforçada por relatos de colegas, que disseram que Gisele falava sobre “ir para o tudo ou nada” no dia em que algo grave acontecesse. Ela temia pela sua vida e declarou: “Ou ele me mata, ou eu mato ele para me proteger”.
No dia 18 de fevereiro, Gisele foi encontrada gravemente ferida no apartamento onde vivia com o marido, em São Paulo. Inicialmente tratada como suicídio, a investigação foi reaberta como morte suspeita após análises periciais e testemunhos que contradisseram a versão apresentada por Neto. A Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não era compatível com suicídio, levando à prisão do tenente-coronel em 18 de março. Ele responde por feminicídio qualificado e fraude processual, por ter alterado a cena do crime para induzir a investigação ao erro.
Os relatos de abuso psicológico e controle excessivo por parte de Neto foram corroborados por testemunhas, que disseram que ele vigiava a esposa, escalava o mesmo horário de trabalho e até manipulava a situação financeira dela. Gisele também teria relatado preocupações com a saúde da filha de 7 anos, que começou a apresentar problemas após conviver com o oficial. Em sua entrevista, Byanca, a amiga de Gisele, expressou o medo que sentia depois da morte de sua colega e da soltura de Neto: “Estou orando muito para Deus que não aconteça nada comigo.”
Redação/DCM
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