A política tem dessas ironias: quando tudo parece sob controle, uma decisão judicial acende a luz amarela no painel. E foi exatamente isso que aconteceu com o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, desde essa sexta-feira (27).
Na região do Bessa, onde o prefeito reside, o clima deixou de ser apenas administrativo e passou a ser estratégico. A informação que chegou a Brasília e retornou com força para a capital paraibana mexeu no tabuleiro político: o ministro Gurgel de Faria, da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, determinou a reabertura e o reexame da decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região que havia absolvido o prefeito de condenação por improbidade administrativa.
Não se trata de condenação. Não se trata, ainda, de revés definitivo. Mas, na política, o tempo da Justiça e o tempo das urnas nem sempre caminham separados. E é justamente aí que mora o peso da decisão.
A decisão que muda o ambiente
Nos bastidores da política estadual, analistas classificaram a medida como incomum, especialmente por ocorrer às vésperas de uma campanha eleitoral que promete ser uma das mais acirradas dos últimos anos. Cícero não esconde de ninguém: é pré-candidato ao Governo da Paraíba e tem o olhar voltado para o Palácio da Redenção.
A reabertura do caso não é apenas jurídica; é, inevitavelmente, política.
Mesmo que a defesa sustente confiança na manutenção da absolvição, o simples fato de o processo voltar à pauta cria um ambiente de incerteza. E eleição se ganha também na narrativa. Adversário não perde tempo quando encontra um flanco aberto.
O peso da escolha
Cícero é um político experiente. Já enfrentou tempestades, já atravessou desertos eleitorais e já voltou ao jogo quando muitos o davam como carta fora do baralho. Mas desta vez o cenário é diferente. A disputa pelo Governo não será uma corrida de resistência comum, será uma batalha de gigantes, com máquinas, alianças e estratégias robustas.
A decisão do ministro pode não alterar o resultado jurídico final. Porém, altera o ambiente. E ambiente, em política, decide votos.
Cada movimento daqui em diante será calculado. Cada declaração, medida com lupa. Cada silêncio, interpretado.
A luz amarela está acesa
A pergunta que ecoa nos corredores do poder não é se Cícero será condenado. É se o caso será explorado politicamente até o limite possível. Em disputas majoritárias, percepção pesa tanto quanto fato.
A luz amarela está acesa no Bessa; não por sentença, mas por timing.
E Cícero sabe: quando se entra numa corrida pelo Governo do Estado, não basta estar certo. É preciso estar blindado.
Porque essa disputa não é para amadores. É para gigantes.
Redação/ExpressoPB
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