O tabuleiro político de Riachão, cidade localizada no curimataú paraibano, começa [ainda que timidamente] a se movimentar para as próximas eleições municipais, apesar de está prestes a vivenciar uma eleição geral em outubro. E um nome que volta a circular nos bastidores com força é o da ex-prefeita Maria da Luz, conhecida popularmente como Daluz.
A pergunta que ecoa nas rodas de conversa, nos grupos de WhatsApp e nos corredores da política local é direta: Daluz está pronta para tentar novamente? Pelo que parece, sim!
Entre a memória e o desgaste
Maria da Luz governou Riachão até dezembro de 2024. Conhecida por seu estilo centralizador e uma relação turbulenta com a Câmara Municipal, Daluz não enfrentou tempos calmos, mas embates públicos que criaram um ambiente político de permanente confronto.
Governar sem base sólida no Legislativo é como dirigir com o freio de mão puxado. E, naquele momento, a ex-prefeita sentiu isso na prática. A falta de sintonia institucional acabou comprometendo votações estratégicas e dificultando a construção de consensos, algo essencial em cidades de pequeno porte, onde o diálogo político é tão importante quanto a execução administrativa.
A memória desse período ainda está viva. Para aliados, ela enfrentou resistências por mexer em estruturas arraigadas. Para críticos, faltou habilidade política para compor e ceder quando necessário.
O desafio da reconstrução
Uma eventual candidatura de Daluz em 2028 exigirá mais do que capital eleitoral. Exigirá reinvenção.
O eleitorado de Riachão, pelo que parece, não vota apenas com base na lembrança de obras ou programas, que o diga o ex-prefeito Fábio. O eleitorado ‘riachãoense’ parece votar também com base na percepção de estabilidade, governabilidade e capacidade de articulação. E esse talvez seja o maior obstáculo da ex-prefeita: provar que aprendeu com os erros do passado.
Política é construção coletiva. Não se governa sozinho, especialmente em municípios onde cada vereador representa uma fatia decisiva do eleitorado. Caso queira retornar ao comando do Executivo, Daluz precisará demonstrar disposição real para dialogar, compor e compartilhar decisões.
Há espaço para um retorno?
Em política, raramente portas se fecham de forma definitiva. A história brasileira está repleta de líderes que voltaram ao poder após períodos de desgaste. Mas todos tiveram algo em comum: ajustaram o discurso, reformularam alianças e entenderam os sinais do tempo.
Se Maria da Luz pretende disputar novamente, precisará apresentar não apenas um plano de governo, mas uma nova postura. O eleitor quer segurança, previsibilidade e maturidade política. Quer saber se o passado serviu de aprendizado.
O cenário ainda está em formação. Nomes surgem, alianças se esboçam, interesses se movimentam. Contudo, é inegável que Daluz ainda desperta paixões, tanto de apoio quanto de rejeição. E isso, por si só, já a mantém no centro do debate.
Reinventar para sobreviver politicamente
A possível volta de Maria da Luz à disputa em Riachão não é apenas uma questão eleitoral. É um teste de reinvenção.
Se conseguir transformar a imagem de confronto em símbolo de experiência; se substituir embates por pontes; se trocar resistência por articulação, poderá surpreender.
Caso contrário, o passado pode pesar mais do que qualquer promessa de futuro.
Em política, a memória do eleitor é seletiva, mas não é curta. E Riachão decidirá, no tempo certo, se está disposta a dar uma segunda chance a Daluz.
Redação/ExpressoPB
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