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ANÁLISE | Enquanto João se ‘acastelou’ na granja, no RN a governadora Fátima se jogou no meio da folia no Carnaval

O Carnaval sempre foi mais do que festa. No Nordeste, é palco cultural e político. É vitrine, é termômetro de popularidade, é espaço de articulação. E, em ano eleitoral, cada gesto conta. Cada ausência também.

Enquanto o governador da Paraíba, João Azevêdo, pré-candidato ao Senado, manteve-se praticamente distante da agenda carnavalesca no interior do estado, a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, percorreu cidades, subiu em palanques culturais, circulou entre lideranças e se misturou à multidão.

Dois estilos. Duas estratégias. Dois recados políticos.

Paraíba: silêncio estratégico ou oportunidade perdida?

Na Paraíba, a expectativa era que João ampliasse sua presença pelo interior durante o período momesco. Afinal, pré-candidatos ao Senado precisam mais do que gestão, precisam presença.

O governador, no entanto, optou por uma postura discreta: foi ao encontro de Lula no Recife, mas se afastou da efervescência das ruas, no estado, manteve agenda reservada e até a manhã desta terça-feira (17) nada de aparecer nos grandes polos carnavalescos do estado.

Para aliados, trata-se de foco administrativo. Para críticos, é um erro de timing político.

Porque Carnaval não é apenas festa. É aproximação com prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias. É o corpo a corpo que alimenta a construção de uma candidatura majoritária. No interior, onde a política ainda se faz muito no contato direto, a ausência ecoa.

E em política, ausência também comunica.

Rio Grande do Norte: folia como estratégia eleitoral

No Rio Grande do Norte, o cenário foi outro. Fátima Bezerra fez do Carnaval uma extensão do seu projeto político. Foi ao Recife acompanhar Lula no Galo da Madrugada, mas voltou para o estado.

Circulou pelo interior. Compareceu a eventos tradicionais. Conversou com lideranças locais. Foi vista  e fotografada no meio do povo.

A estratégia é clara: consolidar vínculos e ocupar espaço simbólico. Em tempos de redes sociais, a imagem da governadora no meio da multidão reverbera. Transmite proximidade. Humaniza. Reforça a narrativa de conexão popular.

Mais do que marcar presença, Fátima construiu memória política durante o período festivo. E memória é ativo eleitoral.

Duas leituras possíveis

A diferença de postura entre João e Fátima revela muito sobre o momento político de cada um.

  • João parece apostar na força da máquina administrativa e na consolidação institucional.

  • Fátima investe na mobilização, na presença territorial e na construção simbólica da candidatura.

Ambos são governadores em fim de mandato com pretensões ao Senado. Ambos precisam ampliar base para além dos aliados tradicionais. Mas escolheram caminhos distintos.

No Nordeste, onde política se mistura com cultura e tradição, ignorar o simbolismo das festas populares pode custar caro.

O que fica para 2026?

A corrida ao Senado começa muito antes da campanha oficial. Ela se constrói em agendas, gestos e presenças estratégicas.

Enquanto um se preserva, a outra se expõe. Enquanto um prioriza bastidores, a outra ocupa as ruas.

O Carnaval está terminando. Mas o recado político ficará.

E, como ensina a história eleitoral nordestina, quem não ocupa espaço simbólico corre o risco de vê-lo ser ocupado por outro.

Redação/ExpressoPB
Foto Reprodução 

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