Quando a hipocrisia já não consegue mais disfarçar a vergonha, os fatos falam por si.
No último fim de semana, o ex-prefeito de Marí, Antônio Gomes, decidiu visitar as residências entregues pela Prefeitura na semana anterior, fruto de uma parceria com o Governo Federal na zona rural do município. Ao todo, foram 25 casas entregues, todas com cisternas construídas e devidamente abastecidas, um avanço histórico para famílias que há décadas convivem com a escassez de água.
Mas, em vez de reconhecer a relevância das obras, o ex-gestor optou por tentar minimizar a conquista. Foi até a localidade não para celebrar o benefício às famílias, mas para cobrar o abastecimento de água, apelando, inclusive, a um empresário amigo pessoal para realizar um “abastecimento alternativo”, numa tentativa clara de descredibilizar a ação da gestão municipal.
Em tom exaltado, Antônio Gomes chegou a citar o senador Veneziano Vital do Rêgo [a quem afirma apoiar politicamente] para pressionar a prefeita, exigindo que as cisternas fossem abastecidas, mesmo estas tendo sido abastecidas pela prefeitura e fruto denúncia do próprio Antonio e seu grupo. O que ele convenientemente omitiu foi um detalhe impossível de ignorar.
Antônio Gomes nasceu na própria localidade. Foi vereador por 16 anos, vice-prefeito por 4 e prefeito por três mandatos, somando 12 anos no comando do Executivo. Ao todo, esteve no exercício de cargos eletivos por 32 anos consecutivos. Durante todo esse período, não resolveu o problema do abastecimento de água das famílias que hoje cobra, muitas delas suas vizinhas, algumas até parentes.
A contradição salta aos olhos. Após mais de três décadas no poder sem dar uma resposta concreta à sede da população, o ex-prefeito agora tenta transferir a responsabilidade para uma gestora que soma apenas um ano e um mês de mandato. Cobra, em tempo recorde, a solução de um problema estrutural que ele próprio teve décadas para enfrentar e não enfrentou.
Em Marí, a água finalmente começou a chegar onde antes só havia promessas. E é justamente isso que parece incomodar quem, tendo tido todas as oportunidades, preferiu deixar a seca como herança política.
Redação/ExpressoPB
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