A movimentação do vereador Guga Pet na semana que termina revela muito mais do que uma simples mudança de alinhamento político. Ao aceitar indicar o próprio filho para comandar uma secretaria na gestão do prefeito Cícero Lucena, o parlamentar parece ter executado um cálculo político frio e estratégico: valorizar o próprio passe, ganhar visibilidade e se reposicionar no tabuleiro do poder estadual.
A sequência dos fatos é reveladora. Primeiro, o acordo com a Prefeitura de João Pessoa. Logo em seguida, a nomeação do filho para um cargo estratégico. Menos de 24 horas depois, sem grandes explicações públicas ou constrangimento político, o vereador recua e anuncia o ingresso [ou, para alguns, o regresso] ao grupo que governa o Redenção, sob a liderança do governador João Azevêdo e do vice Lucas Ribeiro. A leitura é quase automática: a passagem relâmpago do filho pela secretaria de Cícero serviu como vitrine.
Do ponto de vista da análise política, é difícil sustentar outra interpretação. A manobra reforça a ideia de que o episódio não foi fruto de improviso, mas sim de uma jogada bem ensaiada, típica de quem conhece os atalhos do poder. Ao se tornar peça momentaneamente relevante em dois campos políticos distintos, Guga Pet ampliou seu capital simbólico e político, mostrando-se “disputado”, ainda que por pouco tempo.
Esse tipo de estratégia, aliás, não é novidade na política brasileira. Trocas rápidas de lado, alianças circunstanciais e movimentos calculados fazem parte de um roteiro já conhecido do eleitor mais atento. Não por acaso, a situação remete ao icônico Odorico Paraguassu, personagem de O Bem-Amado, que, apesar de ter marcado a televisão brasileira nos anos 1970, segue atual como metáfora do pragmatismo [e do oportunismo] político.
No fim das contas, o episódio levanta uma reflexão importante para o eleitor: até que ponto essas movimentações fortalecem projetos coletivos ou apenas carreiras individuais? Guga valorizou o passe, sem dúvida. Resta saber quem, politicamente, pagará o preço dessa negociação.
Redação/ExpressoPB
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