O ministro da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Ricardo Lewandowski, entregou sua carta de demissão na quinta-feira (8), mas a saída da pasta só deve ser publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta sexta-feira (9). Ao todo, dez pessoas são cotadas para assumir o cargo, com uma única mulher figurando na lista.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em geral sempre opta por nomes de confiança política e pessoal para o MJSP, uma das pastas mais sensíveis do governo – cuja pauta da Segurança Pública deve ganhar uma pasta própria. Nos bastidores do Palácio do Planalto, a lista para o cargo revela uma verdadeira trincheira, com diferentes perfis, que vão do lado técnico, político a agrados à base.
A troca ocorre num contexto de pressão política permanente sobre o tema, com a base focando nas eleições e pautas próprias de segurança pública no Congresso Nacional para o enfrentamento à direita, bem como a pressão política causada por oposicionistas, que reivindicam a pauta.
A lista de cotados inclui um total de oito pessoas: Andrei Rodrigues (diretor-geral da Polícia Federal – PF), Ricardo Capelli (interventor do 8 de janeiro e atual presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial – ABDI), Marco Aurélio Carvalho (coordenador do grupo Prerrogativas), Vinícius Marques de Carvalho (ministro da Controladoria-Geral da União – CGU), Tarso Genro (ex-ministro da Justiça e ex-governador do Rio Grande do Sul), o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), a deputada federal Adriana Accorsi (PT-GO), Benedito Mariano (ex-ouvidor da polícia paulista) e Wellington César Lima e Silva (advogado-geral da Petrobras) e Camilo Santana (ministro da Educação).
Veja mais sobre os cotados para a vaga
Andrei Rodrigues
Atual diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues é visto como um nome técnico e de extrema confiança do presidente Lula. Ele ganhou protagonismo ao conduzir a PF durante a fase mais intensa das investigações sobre a trama golpista e casos sensíveis envolvendo o bolsonarismo. Sua eventual ida ao MJSP representaria continuidade institucional, mas também abriria disputa interna pela chefia da PF.
Ricardo Cappelli
Atual presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e ex-interventor federal na segurança do Distrito Federal após os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, Ricardo Cappelli surge como um nome com experiência direta em gestão de crises.
Ele ganhou visibilidade nacional naquele episódio e mantém proximidade com o núcleo político do governo – além de ser jornalista e, consequentemente, ter um forte na área de comunicação, podendo auxiliar tanto nos bastidores quanto fora.
Sua eventual ida ao MJSP teria perfil operacional e político, com foco em gestão e resposta rápida, mas é considerada uma possibilidade mais distante, tendo em vista sua pré-candidatura ao governo do Distrito Federal neste ano.
Vinícius Marques de Carvalho
Ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Carvalho aparece como um nome com forte perfil jurídico e de combate à corrupção. Ex-presidente do Cade, ele tem trânsito entre diferentes alas do governo e boa relação com o meio jurídico. Sua indicação reforçaria a linha de fortalecimento do controle institucional, mas exigiria rearranjos na CGU.
Marco Aurélio Carvalho
Coordenador do Grupo Prerrogativas, Marco Aurélio Carvalho é um dos nomes mais ligados politicamente ao núcleo jurídico e ideológico que sustentou Lula nos momentos mais críticos da Lava Jato e da pós-eleição.
Sua eventual nomeação teria forte simbolismo político, sinalizando alinhamento direto com setores da advocacia progressista e da militância democrática.
Rodrigo Pacheco
O ex-presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), é citado como uma alternativa de peso político – principalmente em detrimento ao conflito com o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que pretendia indicá-lo ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Caso avançasse, sua ida ao MJSP teria impacto direto na relação com o Congresso Nacional e colocaria “panos quentes” na presidência do Senado. Pacheco é visto como um nome de equilíbrio institucional e político.
Tarso Genro
Ex-ministro da Justiça e ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro é um nome histórico do PT, respeitado no meio jurídico e político. Sua eventual volta ao MJSP seria interpretada como uma aposta na experiência e na memória institucional, especialmente em um momento de defesa da democracia. A idade e o desejo pessoal, no entanto, pesam contra.
Adriana Accorsi
Deputada federal e ex-delegada da Polícia Civil, Adriana Accorsi (PT-GO) aparece como um nome que dialoga com a pauta da segurança pública sob a ótica dos direitos humanos. Ela tem histórico de enfrentamento ao bolsonarismo e bom trânsito com movimentos sociais, o que poderia marcar uma guinada política mais clara no ministério.
Benedito Mariano
Ex-ouvidor das polícias e figura histórica ligada à área de direitos humanos, Benedito Mariano é lembrado como um nome técnico-político, com forte identidade com a reforma das forças de segurança. Sua indicação reforçaria o discurso de controle externo e democratização da segurança pública, mas enfrenta resistência corporativa.
Wellington César Lima e Silva
Ex-procurador-geral de Justiça da Bahia e ex-secretário de Segurança Pública do estado, Wellington César tem histórico direto na condução de políticas de segurança e forte trânsito no meio jurídico. Seu nome é visto como uma opção técnica com experiência prática, especialmente para dialogar com o Ministério Público e as forças policiais.
Camilo Santana
Atual ministro da Educação e ex-governador do Ceará, Camilo Santana (PT) passou a ser citado nos bastidores como alternativa política de peso. Durante sua gestão no Ceará, teve atuação direta na área de segurança pública, inclusive em momentos de crise. Sua eventual ida ao MJSP representaria uma reorganização política mais ampla no governo, com impacto direto no MEC e na base aliada.
Da redação/ Com Revista Fórum





