O início de 2026 marcou uma mudança perceptível no comportamento político do governador da Paraíba, João Azevêdo. Conhecido até aqui por um perfil cauteloso, técnico e conciliador, o chefe do Executivo estadual surpreendeu ao adotar um tom mais duro e assertivo durante a primeira coletiva de imprensa do ano, realizada nesta segunda-feira (05) em evento que apresentou um balanço das ações do governo em 2025. O gesto, longe de ser casual, sinaliza que o governador já entrou em modo eleitoral.
O João Azevêdo que se viu nesta segunda-feira destoou do personagem moderado que marcou sua trajetória recente. Sem rodeios, o governador disparou críticas diretas e indiretas contra atores centrais do tabuleiro político paraibano. Felipe Leitão foi alvejado frontalmente; o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, acabou atingido no mesmo movimento; e, por tabela, o senador Efraim Filho e o grupo Cunha Lima também entraram na mira, tudo isso embalado por ironia fina e um humor calculado, típico de quem deseja marcar posição sem perder o controle da narrativa.
A mudança de postura revela mais do que um rompante retórico. Trata-se de uma estratégia clara de reposicionamento político. Ao abandonar o tom excessivamente institucional, João Azevêdo envia um recado direto aos adversários e potenciais aliados: não pretende atravessar 2026 apenas como gestor bem avaliado, mas como protagonista ativo do embate eleitoral. A fala mais agressiva rompe com a expectativa de passividade e reposiciona o governador como um jogador disposto ao confronto.
Esse novo estilo tende a elevar a temperatura da disputa pelo Palácio da Redenção. Ao provocar nomes de peso e grupos tradicionais da política estadual, João força o debate público, antecipa embates e testa a capacidade de reação dos adversários. É uma jogada de risco, mas também de afirmação de liderança, especialmente em um cenário de pulverização de candidaturas e indefinições no campo oposicionista.
Se esse comportamento será episódico ou se marcará definitivamente a atuação do governador até 2026 ainda é uma incógnita. No entanto, o recado já foi dado. Caso o João Azevêdo mais ofensivo se mantenha em cena, a eleição que se desenha promete ser uma das mais acirradas dos últimos anos na Paraíba. A partir de agora, resta observar quem suportará o embate e quem ficará pelo caminho.
Redação/ExpressoPB
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