terça, 20 de outubro de 2020
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Não há risco zero, mas volta das aulas é baseada na ciência, diz Uip



Publicado em sexta-feira, julho 17, 2020 · Comentar 

O médico infectologista David Uip disse hoje saber da responsabilidade sobre o retorno das atividades presenciais nas escolas do estado de São Paulo, mas afirmou que a decisão pela reabertura das escolas tem como base a ciência e a pesquisa. A previsão inicial é que as aulas presenciais na rede estadual paulista voltem a partir de 8 de setembro, mas a data pode ser revista.

Uip defendeu o uso de protocolos de higiene e biossegurança para o retorno das atividades. No entanto, disse que não existe um cenário em que haja “risco zero” de infecção pelo vírus. “Não é possível que, em uma escola com colaboradores e alunos, eles não se infectarão. Temos que ver isso com muito zelo”, afirmou o infectologista ao participar de um painel da Educa Week.

O médico, que é um dos membros do Centro de Contingência do Coronavírus do estado de São Paulo, ressaltou que esse comitê é responsável por subsidiar o governo com dados. “Seguramente, estamos lidando com 18 dos melhores epidemiologistas e infectologistas do Brasil. Este subsídio é absolutamente criterioso e científico”, disse.

“Estamos absolutamente conscientes da responsabilidade. Nos baseamos na ciência, na pesquisa e no avanço científico”, afirmou.

Data será confirmada

Escolas de todo o estado estão fechadas desde meados de março devido à pandemia do novo coronavírus. O governador João Doria (PSDB) já divulgou um plano de retorno das atividades presenciais nas escolas do estado, que prevê a volta no dia 8 de setembro e com escolas com 35% da capacidade máxima de alunos.

A confirmação da data, no entanto, dependerá da permanência de todas as regiões do estado na fase amarela (3) do plano de flexibilização da economia, o chamado Plano São Paulo, por pelo menos 28 dias. O governo estipulou cinco fases – a fase vermelha (1) significa a situação mais crítica e a azul (5), o cenário controlado.

Para Uip, a volta das aulas é “extremamente necessária”, mas será o “maior” desafio a ser enfrentado pelo estado na pandemia do coronavírus. “Para que isso ocorra de forma segura, precisamos ter estabilidade nas curvas. Hoje, no estado de São Paulo, a curva está se estabilizando; e, como previsto, a doença se interiorizou”, disse.

Mais cedo, no entanto, o secretário executivo do Centro de Contingência, João Gabbardo, afirmou que o comitê irá reavaliar a previsão de retomada das aulas presenciais no estado.

Gabbardo foi questionado sobre uma declaração dada pelo matemático Eduardo Massad, professor titular da Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getúlio Vargas. Durante um seminário online, Massad citou que a volta das atividades poderia levar a 1.700 novas infecções pelo coronavírus apenas no primeiro dia de reabertura das escolas.

“Em função dessas novas informações, a gente pediu para que o Centro de Contingência, que tem discutido isso com o secretário da Educação, para que faça uma reavaliação daquilo que já foi definido”, disse.

Riscos do retorno versus interrupção das aulas

Também presente no painel, o diretor acadêmico de ensino do Hospital Albert Einstein, Alexandre Holthausen, defendeu ser preciso encontrar um equilíbrio para que crianças e adolescentes voltem às escolas com o mínimo de riscos possível.

“Obviamente, além do compromisso com a formação dos alunos, temos outras consequências com a manutenção de milhões de crianças em casa —isso inclui saúde mental, violência. E elas afetam prioritariamente aqueles de baixa renda ou de condições econômicas menos privilegiadas”, disse.

Para ele, não é “razoável” aguardar ou planejar a volta das atividades presenciais nas escolas com base no surgimento de uma possível vacina contra a covid-19.

“Estamos há quatro meses com essas crianças em casa. Previsões mais otimistas dizem que não teremos vacina esse ano. Não é razoável pensar que vamos manter essas crianças em casa por oito meses, dez meses”, disse.

“Também não é razoável imaginar que a gente possa voltar às aulas sem ter casos. Caso zero ou segurança absoluta não existe, já não existe hoje”, afirmou.

David Uip concordou. “O que estou vendo acontecer é um terror que passa do ponto. O que Alexandre falou e é muito importante, não tem risco zero.”

Segundo Holthausen, é preciso ainda pensar que as escolas públicas certamente precisarão de apoio financeiro para a implementação de protocolos de segurança, que envolvem o uso de máscaras e a higienização constante das mãos (seja com álcool em gel ou com água e sabão).

“Dados que cada vez nos dão mais segurança mostram que as medidas de barreira, como as máscaras, as medidas de higiene e as medidas de distanciamento funcionam [para conter a disseminação do vírus]”, afirmou.

Da redação/ Com UOL

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