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O que já se sabe sobre o massacre racista em supermercado de Nova York



Publicado em segunda-feira, maio 16, 2022 · Comentar 

Um atirador matou 10 pessoas e deixou 3 feridas em um supermercado em Buffalo, cidade americana no estado de Nova York. O FBI classificou o episódio como um “crime de ódio” e um “ato de extremismo violento racialmente motivado”.

O presidente norte-americano descreveu o crime como um ato de “terrorismo doméstico”. “Um atirador solitário, equipado com armas de guerra e a alma repleta de ódio, matou dez pessoas inocentes a sangue frio”, declarou o presidente em Washington. “Nós devemos trabalhar juntos para combater o ódio que continua sendo uma mancha na alma da América”, disse Biden.

Payton Gendron, jovem branco de 18 anos fortemente armado, disparou contra várias pessoas em um supermercado de Buffalo. Além dos 10 mortos, três pessoas ficaram feridas. O local era conhecido por ser frequentado principalmente pela comunidade negra da região. Das vítimas, onze eram afro-americanas.

O agressor, que se entregou assim que a polícia chegou, foi detido e acusado de “morte com premeditação”. Ele usava capacete equipado com câmara para transmitir o seu crime ao vivo pela internet, colete à prova de balas e roupas de tipo militar.

Teoria racista da ‘grande substituição’

Payton S. Gendron planejou minuciosamente sua ação, detalhada num manifesto de 180 páginas postado na internet, em que ele não esconde ter se inspirado em autores de outras carnificinas. O atirador usou táticas utilizadas nos massacres perpetrados por Brenton Tarrat em duas mesquitas na Nova Zelândia, ou por Patrick Wood, num supermercado em El Paso, no Texas, para citar alguns de seus modelos.

Gendron se define como um lobo solitário, mas pertence a uma massa de radicais de direita que se reúnem em fóruns clandestinos na internet, ancorados na teoria racista e xenófoba conhecida como “a grande substituição”: pregam a tese de que a raça branca será extinta, substituída por pessoas negras, latinas e muçulmanas.

Concebida pelo filósofo francês Renaud Camus em 2012, essa doutrina conspiratória ultrapassou a fronteira do debate virtual entre nacionalistas brancos e passou a ser difundida por políticos e cultuada por proeminentes apresentadores e comentaristas da mídia conservadora dos EUA.

Um deles é o populista Tucker Carlson, que tem o programa de maior audiência da Fox News e destila a ficção como a mais pura realidade. Afirmou, por exemplo, que o presidente Joe Biden incentiva a imigração apenas para mudar a mistura racial do país e obter ganhos políticos.

Políticos republicanos abraçam essa ideologia racista, com frases assertivas ecoadas em plenários de legislativos, como “estamos sendo invadidos por imigrantes ilegais”, conforme alardeou a senadora Wendy Rogers, do Arizona. Um entre três americanos corrobora a tese da substituição, constatou uma pesquisa divulgada recentemente pela Associated Press, num claro indício de que ela não está mais confinada aos grupos extremistas.

Da Redação 
Com Pragmatismo Político 

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