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Tias de jovem suspeito de matar a mãe e fingir luto afirmam estar em choque: ‘Ele precisa pagar’



Publicado em sexta-feira, junho 11, 2021 · Comentar 

Irmãs da vítima, tias do suspeito, afirmam que esperam por justiça e querem que ele seja preso — Foto: Luciana Moledas/G1

“Eu espero que ele seja preso e pague pelo que fez. Ele estava consciente do que estava fazendo, e não teve arrependimento em momento algum”. O desabafo é de Mariusa da Quadra, uma das irmãs de Márcia Lanzane, de 44 anos, que, segundo apontam as investigações da Polícia Civil, foi morta pelo próprio filho, Bruno Eustáquio Vieira, de 23.

O Ministério Público aponta que o suspeito cometeu o crime por interesse na herança. A Justiça decretou a prisão preventiva dele, que é procurado pelas autoridades policiais. A defesa nega a acusação.

Mariusa relata que a família suspeitou de Bruno desde quando o laudo apontou morte por asfixia. O crime ocorreu em 2020, em Guarujá, no litoral paulista. De acordo com ela, para todos da família, apesar das suspeitas, foi um “choque” saber que ele realmente havia matado a mãe.

“Saber que tinha sido ele, para nós, foi um choque, por mais que a gente suspeitasse. Depois que a gente viu as imagens, e que vimos a forma fria como ele tratou a mãe dele, desabou o nosso mundo. Não é esse menino que a gente viu crescer, não é esse menino que a gente tinha como sobrinho. Se mostrou totalmente outra pessoa, e muito frio.”

“Agora, queremos justiça, que ele pague pelo que fez. Ele acabou com a vida dela, com a dele e com a nossa. Ela fez de tudo por ele, brigava com a gente para defender ele, e ele faz isso. Não tem perdão”, desabafa Mariusa.

A outra irmã de Márcia, Minervina Lanzane da Quadra, também afirma ter ficado surpresa com a atitude de Bruno, já que ele sempre foi muito amado pela família e tratado com muito carinho pela mãe.

“Ele mudou totalmente, da água para o vinho. As últimas palavras que escutei da minha irmã foram: ‘a soberba do Bruno é a destruição dele. Ele está insuportável, eu não vou pedir nada para ele, depois a gente conversava sobre isso'”, relembra.

Segundo Minervina, o momento é muito difícil e de muita dor para todos que conheciam Márcia e o filho. “É muito difícil, porque ele tinha tudo, e ela deixou de viver para viver para ele. A vida inteira dei conselho para ele, para ele sempre ir pelo certo. Para que? Para ele se tornar um assassino? O menino que eu amava, que eu ajudei a criar, aquele menino morreu no dia em que matou a minha irmã. Ele destruiu a nossa família, matou a minha irmã, que era cheia de vontade de viver. Ele tem que pagar”, relata emocionada.

De acordo com Minervina, Bruno chegava a mentir aos amigos sobre o bairro onde morava, por vergonha de viver em uma localidade mais simples da cidade. “Ele tinha vergonha de falar o bairro que morava, até mentia que morava nas Astúrias. Agora, eu não entendo, sempre fomos de família humilde, e nunca tivemos vergonha, porque isso não é importante, e sim, o caráter. E ele não tem caráter. Eu não sei aonde ele se perdeu, quando se transformou nesse monstro, mas ele é o assassino da minha irmã, isso não tem como apagar”, lamenta.

Bruno Eustáquio Vieira, de 23 anos, em imagens divulgadas pela investigação — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Bruno Eustáquio Vieira, de 23 anos, em imagens divulgadas pela investigação — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Mudança de comportamento

As testemunhas ouvidas pela polícia relataram que o investigado mudou o comportamento depois que começou a ter interesse em cursar medicina, já que passou a andar com pessoas de maior poder aquisitivo e começou a gastar muito dinheiro e sair com frequência.

Segundo os depoimentos, Bruno passava as noites fora, em restaurantes e boates, frequentava locais de luxo em Guarujá e vivia um padrão de vida que conflitava com a vida que ele levava com a mãe.

Ele também chegou a alegar que queria mudar de residência, já que tinha vergonha da localidade onde morava e queria levar os amigos em casa. Por esse motivo, familiares e amigos relataram à polícia que ele pressionava a mãe para vender ou alugar a casa e mudar de bairro.

Ainda segundo os depoimentos, devido à pressão que fazia na mãe, ela havia comprado uma moto para ele.

Familiares ainda afirmaram que, logo após a morte de Márcia, o filho dormiu com amigas na residência e, em uma oportunidade em que uma tia o questionou porque estaria encostado no rack da casa, já que a mãe não gostava da atitude, ele teria respondido que agora “ele que mandava ali”.

Segundo os relatos, Bruno tinha outro comportamento com as pessoas, sendo um bom rapaz, mas com Márcia não tinha paciência e era bruto.

Motivo torpe

A Polícia Civil concluiu que Bruno cometeu o crime por motivo torpe. Além das alegações das pessoas ouvidas pela polícia, as autoridades também obtiveram imagens de câmeras de monitoramento que mostraram o suspeito apertando o pescoço da mãe e a agredindo.

Apesar de o filho ter afirmado, em sua primeira versão à polícia, ter encontrado a mãe morta e, em segundo depoimento, ter falado em morte acidental, o laudo da perícia apontou morte por asfixia mecânica.

Na época da morte de Márcia, o suspeito chegou a lamentar a morte da mãe nas redes sociais. “Te amarei para sempre! Obrigado por tudo meu amor. Luto Eterno Rainha”, diz a publicação.

Jovem indiciado por homicídio doloso pela morte da mãe fez postagem após o crime em Guarujá, SP — Foto: Reprodução/Facebook

Jovem indiciado por homicídio doloso pela morte da mãe fez postagem após o crime em Guarujá, SP — Foto: Reprodução/Facebook

Interesse em herança

Após a conclusão do inquérito, que indiciou Bruno por homicídio doloso, quando há intenção de matar, o Ministério Público apontou que o rapaz teria matado a mãe devido ao interesse na herança dela.

“Insatisfeito em não ver seus anseios materiais atendidos, o denunciado decidiu matar a vítima com o objetivo de ter para si todo o patrimônio da genitora em herança, além da obtenção de valores de eventuais seguros”, apontou o MP, após investigação da Polícia Civil.

Ainda segundo o órgão, o denunciado não tinha a intenção de trabalhar e exigia da mãe bens materiais e dinheiro para seus gastos com o lazer.

“Não bastasse isso, o denunciado ainda queria determinar à genitora que alugasse ou vendesse o imóvel da família, situado em zona de baixa renda da cidade, e alugasse outro em região nobre, para que pudesse receber os amigos sem se sentir humilhado, conforme dizia”, colocou o MP.

Para o Ministério Público, as cobranças insistentes acarretavam diversas discussões entre mãe e filho, já que Marcia não tinha condições em prosseguir com tantos gastos.

“De todo o apurado, o bárbaro crime praticado se desenvolveu de forma manifestamente premeditada, tendo o denunciado demonstrado extrema frieza ao ceifar a vida de sua mãe, passar a noite na casa com o cadáver ao solo e promover verdadeiro teatro para comunicar a morte”, apontou o Ministério Público.

Defesa

A defesa de Bruno nega a acusação. O advogado Anderson Real, que representa o filho da vítima, afirma que a hipótese de seguro em nome da falecida até agora não se confirmou. “Não há nenhum documento nesse sentido no processo. O Bruno nega veementemente essa hipótese. O único bem que a mãe possuía era a casa e um carro”, alega.

Ele afirma também que a defesa tentará revogar o pedido de prisão e que, caso não consiga, Bruno pensa em se entregar à polícia.

Investigação

Na época do crime, os familiares relataram à reportagem que o jovem teria ligado para amigos, desesperado, e acionado a polícia, afirmando que encontrou a mãe morta em casa. Segundo a Polícia Civil, o primo da vítima relatou que o jovem contou a ele que saiu de casa pela manhã para treinar e, quando retornou, encontrou a mãe caída no quarto dele, aparentemente sem vida.

Inicialmente, ele não contou aos policiais sobre ter envolvimento com a morte da mãe. A primeira suspeita dos investigadores surgiu ao notarem que Márcia havia morrido muitas horas antes do pedido de ajuda.

Segundo a polícia, após a suspeita, investigadores foram até a residência da vítima e questionaram Bruno, que alegou ter sido uma morte acidental, após ele empurrá-la durante uma discussão. Ele ainda informou às autoridades que Márcia teria caído e batido a cabeça.

No entanto, imagens obtidas pelo G1 na última quarta-feira (2) mostram minutos antes da morte da mulher . Os vídeos do circuito interno de segurança do imóvel foram encontrados dentro do forno do fogão.

As câmeras do circuito interno da casa mostram, na data do crime, o rapaz andando pela casa e entrando em um dos cômodos. Ele fecha a porta e, depois de quase duas horas, abre novamente. Às 21h17, mãe e filho aparecem na porta e, segundos depois, entram em luta corporal.

Os dois caem no chão, e o jovem fica em cima da mãe. Ele prende ela pelo pescoço e, logo em seguida, começa a dar socos nela. Depois disso, o jovem sai do quarto e segue para a sala, onde continua vendo televisão. Na manhã seguinte, ele ainda sai de casa, supostamente para ir à academia, e retorna.

O caso foi investigado pela Delegacia Sede de Guarujá. O inquérito policial com o indiciamento foi concluído em 31 de maio de 2021 e encaminhado à Justiça.

Os dois caem no chão, e o jovem fica em cima da mãe. Ele prende ela pelo pescoço e, logo em seguida, começa a dar socos nela. Depois disso, o jovem sai do quarto e segue para a sala, onde continua vendo televisão. Na manhã seguinte, ele ainda sai de casa, supostamente para ir à academia, e retorna.

O caso foi investigado pela Delegacia Sede de Guarujá. O inquérito policial com o indiciamento foi concluído em 31 de maio de 2021 e encaminhado à Justiça.

Da Redação 
Com G1

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