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HISTÓRIA E PODER/Por Cleiton Duarte: Falsificar-se está em moda



Publicado em quinta-feira, outubro 31, 2019 · Comentar 

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Não raro, tem sido um tanto trivial e corriqueiro ouvirmos as pessoas dizerem “eu entendo você”, “eu compreendo a sua dor” e etc., mas, no entanto, tendo a singularidade que cada pessoa carrega sobre si, sobre si no sentido de consciência, será que é possível mesmo que o outro possa sentir as dores e as turbulências do seu “semelhante”? Bem, eu não acredito nisso. Acredito, em contraponto, que isso é impossível. Do ponto de vista empírico, quando adentro no campo da experiência efetiva com dado acontecimento ou situação, como poderia, por conseguinte, o outro sentir uma alfinetada de uma agulha em meu dedo indicador, a menos que este o faça também, ao seu modo, alfinetando o seu próprio dedo indicador? E mesmo se este assim o fizesse, seria impossível ou improvável, para não tropeçarmos em vagas generalizações, categorizar o mesmo nível de experiência outrora experimentado pelo nosso semelhante. Em outras palavras, a minha experiência com uma alfinetada é diferente da experiência do meu próximo no que toca a mesma alfinetada e com a mesma agulha.

Como tudo isso se relaciona com a tônica proposta no frontispício deste artigo? Bem, quando, no meu subtítulo escrevo a frase “O outro é sempre subjetivo”, posto isso em plena concordância com o tema “Armaduras e mentiras”, proponho que façamos uma viagem para além de nós mesmos. Está complicado? Como é ir além de si mesmo? Não é difícil, a propósito, desembocarmos num raciocínio metafísico, transcendental. Nesse nível de pensamento, o nosso próprio pensamento não ganha mais materialidade, sendo possível ou tangível apenas no âmbito da imaginação. Mas por que decidi falar do outro? O outro para mim sempre será um GRANDE ARCANO, uma peça-chave em nossa desordeira e caótica passagem pela terra. Às vezes me pego julgando o outro, amando o outro ou odiando o outro. Durante esses momentos de turbulência interior, que imprudentemente deixo que façam parte de minha unidade, debruço-me sobre dois eixos de pensamento: o primeiro é a necessidade biológica do outro motivado pela emergência de perpetuar a espécie; e aqui, certamente, já estamos pensando como Darwin.

Numa segunda tônica, há uma profunda crise de identidade, crise esta oriunda da pós-modernidade, assim como todos os problemas circunstancialmente propiciados pela depressão, ansiedade e melancolia em função da força massiva dos tempos onde a tecnologia, as redes sociais principalmente, são canais que permitiram, ao mesmo tempo, que a praticidade (flexibilidade) no que tange ao acesso a informação, também emitiu, em tons mais obscuros, a função utilitária do outro, isto é, individualização generalizada. Já é possível afirmar que aquela ideia difundida nas sociedades patriarcais, onde se colocava a família como o berço da valorização, ou do “bom cidadão” e “samaritano”, já é um fenômeno a ser contestado.

Quando os seres humanos se juntam, algo muito previsível ocorre: confusão.  Essa é uma visão um tanto pessimista sobre o outro, porém vamos aos fatos. Partindo de minhas experiências ao observar o comportamento das pessoas em sociedade, muitas coisas ficaram claras para mim, dentre as quais, ouso falar, a necessidade e aprovação unida à necessidade de se falsificar. O que seria a necessidade de se falsificar? A grande demanda por padrões de beleza, de estilo musical e demais estereótipos que não convém citar todos, tem motivado um deslocamento de identidade para alguma coisa que não seja da natureza do sujeito. Em outros termos, a necessidade de aprovação pelo outro, tem motivado as pessoas a criarem personalidades obtusas com o intuito de se adequar aos propósitos e ‘valores’ daquele para quem se quer agradar. À medida que esse fenômeno vai adquirindo materialidade, mais pessoas vão desenvolvendo crises profundas de identidade, crises de depressão e de ansiedade. Pois, se o grupo ao qual eu desejo pertencer não pode me aceitar tal como eu sou verdadeiramente em minha intimidade, logo o fato de eu estar me falsificando para agradar ao grupo, irá gerar, como consequência lógica, tais crises supracitadas.

Além disso, o problema consiste, sobremaneira, no largo processo de naturalização que essa falsificação condicionada por nossa cultura, tem promovido com os ideais difundidos na pós-modernidade, a saber, a ideia de que a civilização humana está evoluindo. Há alguns meses eu acreditava que, ao longo da história, o homem tinha evoluído. Entretanto, encontrei outra palavra que melhor denomina ou explica esse processo histórico: adaptação. A espécie humana não evoluiu, pelos menos não culturalmente. Há diversos sistemas de poder espalhados pelo globo que investem na desigualdade social a fim de perpetuar a lógica de um dado mecanismo capitalista.

Porém, não é de economia ou política que aqui quero tratar especificamente, e também não quero escrever com vocábulos aceitáveis e agradáveis, eu quero falar de uma forma que as pessoas me compreendam. Que fique claro NESSA PORRA que a espécie humana é medíocre demais para assumir todas as responsabilidades por seus atos, são todos FODIDOS pela MERDA de seus ‘valores’ que não valem mais que uma fossa entupida de merda. Diariamente ouço pessoas me dizerem e dizerem para outras pessoas que se sentem felizes pelas conquistas e pelo sucesso do seu amigo ou colega ou ente familiar, eu bem sei que isso é mentira. E sabe o FODA? É que eu sei disso! Durante algumas noites de insônia me pergunto o que essas máquinas humanas com um abismo no peito querem. Pergunto-me até quando esses corações VAZIOS irão parar de brincar com a vida, parar de PERDER de tempo com coisas insignificantes. Que se DANE a tendência modística, que se FODA os preconceituosos! Que COMA MERDA todos aqueles que traidores.

Quando falo que não somos tão diferentes dos demônios, não estou exagerando em meu discurso. Quanto de vocês não teria coragem de puxar o gatilho de uma arma ao chegar perto de seu irmão ou um amigo e dizer: “Eu te amo, quero o seu bem, que Deus te abençoe”. Mediocridade e IDIOTICE da mais extrema natureza é gastar os 40 anos de vida que ainda nos resta, fazendo TUDO AQUILO que vai nos FODER quando estivermos na cama de um hospital dando o último suspiro de vida. Então, para finalizar esse artigo, a melhor frase que veio em minha mente foi: PARA DE SER TÃO INJUSTO CONSIGO!

Falsificar-se está em moda!

Veja AQUI versão original do artigo na
Edição Digital da Revista EXPRESSO

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