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CONVERSA FRANCA/Por Aninha Ferreira: GERAÇÃO “CABEÇA BAIXA”!



Publicado em terça-feira, outubro 29, 2019 · Comentar 

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GERAÇÃO “CABEÇA BAIXA”!

Todos os dias, milhões de imagens são adicionadas às redes sociais. Nesse exato momento, enquanto escrevo e você me lê, milhares de fotos estão sendo postadas. O que não falta é atualização de status e fotos, muitas fotos… as conversas no whatsapp então… não há limites para alguns. A tecnologia faz parte da vida moderna, muitas questões importantes são resolvidas num simples clique, não há como negar isso.  Também é natural que quando se cria um perfil em uma rede social, a exposição aconteça, mas creio que falta uma dose de cautela em muita gente por aí. As redes sociais trouxeram muitas mudanças positivas, porém é preciso ficar atento para os malefícios que o seu uso indevido pode trazer e que, por enquanto, são pouco compreendidos. Nenhum excesso é saudável. Estamos vivendo a era das “cabeças baixas”. Seres humanos em todo o lugar e a todo momento de olhos vidrados em seus celulares, deixando de apreciar a vida que acontece ao seu redor. Atrasos, assaltos e acidentes não são raros de acontecer por consequência da exagerada utilização dos celulares, especialmente enquanto andam nas ruas.

A vida passa, o tempo parece voar na velocidade da luz e infelizmente tem sido tão desperdiçado pela maioria. E parece que quanto mais se fala no assunto, a coisa parece piorar. Estamos reféns de aparelhos que colocamos no bolso, na bolsa. Não se vive intensamente a própria vida, intenso tem sido o acompanhamento da vida alheia, as curtidas e compartilhamentos como um vício. Os celulares estão presentes nas refeições, na cama antes de dormir e ao acordar, no trabalho, no shopping entre uma compra e outra, na praia entre um raro mergulho… enfim. Quem não utiliza a prática excessiva da tecnologia sofre para ter atenção; é preciso paciência para ter um diálogo no mínimo agradável entre tantos monólogos e monossílabos, especialmente com jovens e adolescentes que vivem a balançar as cabeças feito lagartixas enquanto outra pessoa fala.

O uso excessivo dos celulares gera preocupações não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro. Tanto que, em uma calçada de 165 metros na cidade chinesa de Chongqing há duas faixas: uma normal e outras exclusiva para quem está usando o celular. Acredita?? Tal medida tem como objetivo evitar acidentes entre pedestres distraídos que usam o telefone enquanto caminham. A ideia das faixas partiu de uma iniciativa adotada em Washington, capital dos Estados Unidos, como parte de um programa do canal por assinatura “Discovery Channel”. Foram pintadas duas faixas em uma calçada da cidade. Em uma delas, ficava um sinal que proíbe o uso de smartphone e na outra dizia “caminhe por sua conta e risco”, onde era permitido usar o telefone.

O uso indevido das tecnologias está tomando o espaço do convívio entre as pes­soas. Está aproximando os distantes e distanciando os próximos. Algo que não se limita aos jovens, pois grande parte da popu­lação não tem colocado limites na utilização das redes sociais. É raro você encontrar pessoas conversando sem que estejam com seus celulares tirando suas selfies ou visualizando as selfies de quem quer que seja, e de quebra, dando satisfação do que estão fazendo. Comentam a foto que acabaram de tirar como se não estivessem juntos. Não vivem o momento, vivem curtindo e compartilhando a vida dos outros. A internet virou a ponte por onde as pessoas se comunicam, em­bora morem na mesma rua. Os amigos reais tornaram-se virtuais. Falte tudo, só não falte wi-fi, e as pessoas conhecem cada vez mais a amargura da solidão. A depressão chega cada vez mais perto. Sem falar dos problemas que o uso desenfreado do celular e das redes sociais têm causado em muitos relacionamentos conjugais. A falta de interpretação de texto ou uma entonação diferente em um áudio, tem gerado discussões absurdas. Nenhuma tecnologia substitui o poder que só existe nas relações humanas, no que as palavras não descrevem e fotos jamais conseguirão registrar. Quando o nó aperta, é de afa­go no coração que as pessoas precisam, é de abraço forte e sincero, não de likes numa página da internet. Muito mais do que touchs­creen as pessoas necessitam de toques na alma.

As pessoas não se divertem mais nos lugares, não estudam com o foco necessário sem que tenha um aparelho ao lado avisando que há algo novo a ser observado, não trabalham direito, não festejam a vida porque vivem com o celular nas mãos como se fosse uma parte do corpo. Em alguns casos, poderia se pensar numa terapia. Enquanto estamos de olhos vidrados em telas virtuais, a vida acontece, as pessoas passam e não nos conhecem. O isolamento excessivo só traz malefícios e nos impede de viver grandes coisas com outras pessoas. Desliguem um pouco o celular e se liguem, uns nos outros.

Veja AQUI versão original do artigo na 
Edição Digital da Revista EXPRESSO 

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