segunda, 21 de outubro de 2019
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Grávida de 7 meses morre no dia do casamento, antes de entrar na igreja



Publicado em quinta-feira, setembro 19, 2019 · Comentar 

A enfermeira Jéssica Victor Guedes, 30 anos, grávida de 7 meses, passou mal minutos antes de casar na noite do último sábado (14). Ela teve um AVC hemorrágico em decorrência de uma eclâmpsia.

A mulher foi socorrida pelo noivo, que já foi bombeiro, passou por uma cesárea de emergência e cirurgia para conter uma hemorragia abdominal, mas não resistiu e faleceu no domingo (15) na cidade de São Paulo (SP).

“Eu estava esperando a mulher da minha vida e prestei o socorro, não como noivo, mas socorrista. Fui com ela, ela tinha convulsões e eu lá, tentando ajudar”, contou o noivo Flávio Gonçalves da Costa, de 31 anos.

A bebê prematura, de 29 semanas, nasceu com apenas 1 kg e 34 centímetros. A pequena Sophia passa bem e está internada na UTI Neonatal, em um hospital de SP. Ela deve permanecer por pelo dois meses no hospital.

“A gente ficou sabendo que o caso era grave e que só restava salvar nossa filha. O parto foi muito rápido. Foi uma coisa dividida, porque entrei na sala e vi a operação, minha filha viva e, ao mesmo tempo, a equipe retirando o útero da Jéssica, aquela hemorragia, tudo aberto”, explicou o noivo.

Jéssica teve morte cerebral e a família optou pela doação dos órgãos. O corpo da enfermeira foi velado e enterrado no Cemitério Parque dos Pinheiros nesta terça-feira (17).

“A Jéssica foi guerreira, deu a vida dela pela nossa filha. Ela é o ser mais iluminado que já conheci. Sei que essa demora foi terrível para a família, mas ela ajudou muitas pessoas, era um desejo dela doar os órgãos”, disse Flávio.

 

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Em um depoimento enviado para a revista Crescer, o noivo Flávio explicou como tudo aconteceu:

A Jéssica não apresentava nenhum sintoma de que algo não estava bem. Só no sábado, no dia do nosso casamento, ela acordou as 4 da manhã com dor de estômago e achamos melhor ir ao médico. Eles desconfiaram de que poderia ser algo na vesícula, mas ela foi medicada e liberada. Foi se arrumar com as madrinhas, feliz da vida, e estava 100%. O tempo todo eu ligava para saber como ela estava e, não contente em ouvir pela voz dela, também perguntava para as pessoas que estavam com ela. Tudo parecia ótimo. Eu passei o dia cuidando dos detalhes do salão de festa com meus amigos e me arrumei para ir à cerimônia.

Meses atrás, socorrendo uma pessoa que tinha levado um tiro no pulmão durante um assalto, acabei sabendo que o rapaz tinha uma frota de limosine. Contei a ele que me casaria e ele me fez um descontão para eu fazer uma surpresa para a Jéssica. Ela chegaria à igreja de limosine. Ainda comprei o perfume de que ela mais gostava e deixei dentro do carro. Na porta da igreja, cheguei cedo e fiz questão de cumprimentar todos os convidados, parecia algo dizendo que eu não teria oportunidade de fazer isso mais tarde.

No caminho para a igreja, avisaram aos familiares da Jéssica que ela não estava se sentindo bem. Eu só fiquei sabendo que ela havia chegado. O problema é que estava tudo pronto e nada de ela entrar. Foi então que uma prima dela saiu correndo e me disse que ela tinha desmaiado. Eu fui até o carro e a retirei, desacordada, da limosine, a coloquei no chão e comecei a fazer os primeiros socorros. Como também fui bombeiro durante sete anos, tinha muitos amigos paramédicos e bombeiros por lá que me ajudaram. O resgate chegou rápido e segui com ela, com vestido de noiva e tudo, pela ambulância. Ela tinha batimentos cardíacos, então, achei que era só um mal-estar. 

Nós fomos para um hospital, que o convênio cobria, e ao chegar lá a médica que nos atendeu disse que o problema era complexo e que ela precisaria ser transferida para um hospital maternidade, com recursos tanto para a mãe quanto para o bebê. Me deram três opções e acabei escolhendo a Pro Matre Paulista (SP), sem saber se o convênio cobria ou não. Eu só queria salvar a vida da minha esposa e da nossa filha. Lá, já a levaram para o centro cirúrgico e me chamaram para dar os parabéns, pois a bebê havia nascido. Parece que, naquele momento, o mundo parou. Senti uma alegria e achei que estava tudo bem. Eu liguei para todo mundo e disse que a Sophia havia nascido e, apesar da prematuridade, estava bem. Só que ninguém me dava notícias sobre a Jéssica e eu comecei a ficar desesperado.

Até que um médico me chamou na sala e disse que ela tinha tido uma hemorragia interna, que eles precisavam retirar o útero dela. Nesta hora, eu entrei no centro cirúrgico e vi tudo. Eles conseguiram estancar a hemorragia abdominal. Porém, enquanto ela estava lá ainda no pós-operatório, os médicos me chamaram novamente e disseram que o cérebro dela estava sem atividade, que ela teve um AVC hemorrágico, devido a eclâmpsia, e que iriam transferi-la para o Hospital São Paulo para fazer todos os exames e procedimentos.

Lá eu vivi momentos de pânico e angustia até que o médico me chamou em uma outra sala e disse que ela tinha tido morte cerebral. Pediu para eu entrar na sala para me despedir. Eu só conseguia chorar, rezar e pedir forças para Deus. Ela estava quentinha, tinha batimentos cardíacos e eu comecei a fazer massagem nos pés dela. A Jéssica sempre adorava as minhas massagens. Depois de conseguir me controlar e ficar lá por um tempão, eu tive coragem para avisar a todos que o pior havia acontecido.

Eu ainda estou tentando processar tudo que aconteceu. Se alguém me contasse uma história dessas, eu iria achar que era enredo de um filme triste. A sensação que tenho é que estou dentro de uma sala de cinema assistindo a esse filme e que depois de chorar, chorar, chorar, vou sair da sala e tudo vai acabar. Mas, não. No meu caso, o filme não acaba e o sofrimento será para sempre. 

Da Redação 
Com Pragmatismo Político

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