terça, 23 de abril de 2019
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Primeira e única Prefeita de Mari, Vera Pontes, há 21 anos, já projetava avanços nas conquistas das mulheres



Publicado em sexta-feira, março 8, 2019 · Comentar 

“O cargo de prefeita, principalmente de uma cidade de pequeno porte, […], é por demais espinhoso. […] Por vezes recebo algumas críticas, por ser exatamente mulher.” Assim, Vera Pontes, então prefeita de Mari, definiu em entrevista ao Jornal Umari Notícias de março de 1998, como se sentia ao comandar os destinos da cidade. Primeira e única prefeita na história do município que possui atualmente cerca de 22 mil habitantes. Já em 1998, há exatos 21 anos atrás, Vera Pontes projetava como as mulheres iriam galgar espaços em todos os segmentos da sociedade brasileira e mundial.

O ExpressoPB.net reproduz a seguir na íntegra a entrevista da então prefeita Vera Lúcia da Silva Pontes, confira:

No Dia Internacional da Mulher, a prefeita de Mari, Vera Pontes, concedeu entrevista ao Umari Notícias, falando dentre outros assuntos, dos avanços políticos-sociais que a mulher vem vem obtendo dentro da sociedade. Falou também dos preconceitos que ainda está presente na cabeça de alguns machista. Vejamos a seguir trecho da entrevista:

Umari Notícias: A mulher chega ao Terceiro Milênio com uma importância nunca vista na história do mundo. O que representa isto, hoje, para as mulheres que vivem em países tradicionalmente machista?

Vera Pontes: Representa na verdade uma grande vitória e um enorme avanço da luta das mulheres contra a discriminação, principalmente, no campo de trabalho, onde, nós éramos vistas apenas como um instrumento. Ou seja, o nosso dever era apenas, lavar, passar, cozinhar e fazer sexo. Atualmente, com o limiar do Terceiro Milênio, nós estamos mostrando nossa capacidade em qualquer setor de trabalho. Ainda é difícil para muitos nos aceitarem, porém, estamos a cada dia dando prova de nossa capacidade. 

Umari Notícias: Mesmo nos países tradicionalmente machistas como Cuba e Brasil, a mulher já representa grande peso no papel a ser desempenhado pela sociedade, visando o bem comum. Como se sente então, aqui uma mulher que tem um cargo de mando, como o de prefeita, por exemplo?

Vera Pontes: O cargo de prefeita, principalmente de uma cidade de pequeno porte, que vive apenas do FPM, é por demais espinhoso. Contudo, me sinto na obrigação de fazer o melhor, de dar tudo de mim, para que possamos vislumbrar um amanhã satisfatório para todos. Por vezes recebo algumas críticas, por ser exatamente mulher. 

Umari Notícias: Dê sua opinião sobre o que contribuiu para a ascensão da mulher, como força de trabalho prioritário na sociedade. Porque ela hoje é tão importante?

Vera Pontes: A própria Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada na Assembleia Geral das Nações Unidas em 1948, é o instrumento universal mais importante sobre o assunto. Sendo assim, a ascensão da mulher dentro dos vários segmentos da sociedade, é importante no sentido de desmistificar a retrógrada colocação de que assumir, digamos, um cargo de importância gerencial, é coisa para homem. 

Umari Notícias: Na disputa pelo mercado de trabalho, a mulher vem conseguindo equiparar-se ao homem. Porque então, o súbito interesse das Empresas, de um modo geral, em contratar mulheres?

Vera Pontes: Exatamente pelo fato de estarmos dando prova de nossa competência e organização, seja em qualquer lugar de trabalho. 

Umari Notícias: Na sua opinião, prevalece a temática de que a mulher está preparada para procriar, porque então estaria apta a desempenhar outros trabalhos fora do ambiente doméstico?

Vera Pontes: Na minha opinião, a nós foi concebido a mais bela e importante dádiva da natureza. A missão de conceber um filho e carregá-lo por nove meses consigo é uma tarefa que requer muitos cuidados e cautela. Por que então, não assumimos outros trabalhos fora do lar,  quando a grande prova organizacional já foi aferida dentro deste? 

Umari Notícias: Num relacionamento comum (casamento ou união formal) entre homem e mulher, as despesas devem ser repartidas por igual?

Vera Pontes:  Não só repartidas por igual, como também, se aquele ou esta, estiver com dificuldades financeiras, não prevalecer imperativos [machistas ou feministas], e sim, o bom senso de mútua ajuda. 

Umari Notícias:  Na sua opinião, já acabou aquele comportamento machista de que só o homem pode pagar as despesas do cinema, restaurante, motel?

Vera Pontes: Claro que sim! As despesas devem ser repartidas por igual, é uma forma de estabelecermos a nossa equiparação humana. 

Umari Notícias: Existia o gesto cavalheiro de um homem levantar-se para dar um lugar a uma mulher. Hoje, com os direitos iguais, a mulher poderia fazer o mesmo pelo homem?

Vera Pontes:  Acredito que ainda hoje, são raros, mais ainda existem alguns homens que possuem esta fineza. Contudo, não acho nada demais a mulher retribuir este gesto. Se buscamos direitos iguais, eles devem vir em todos os sentidos.

Da Redação 
Do ExpressoPB

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