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Somos irmãos



Publicado em sexta-feira, outubro 26, 2018 · Comentar 

Ouvi uma mulher do povo pronunciar entusiasmada, num encontro de formação para missionários, uma palavra inventada não se sabe por quem, um neologismo: fraternura. Achei bonito, tem algo de franciscano, transparece paz na própria sonoridade. Então quis saber o que significa e, ela não perdeu tempo, disse-me: “fraternura é a junção das palavras fraternidade e ternura, duas atitudes necessárias para quem vive em comunidade, pois gera e mantêm convivência e comunhão.”

De fato, fraternidade e ternura, são fundamentais como expressão do amor que distingue os cristãos desde a fundação do cristianismo: vede como eles se amam (Apolog. 39)… éramos admirados e nos tornamos por força do amor um ponto de atração, movimento de transformação da sociedade.

Vi no termo fraternura, a proposta de Papa Francisco em evangelii Gaudium, quando fala de uma Igreja missionária, em saída; em meio a tantos desencontros e contra valores a Igreja precisa sair com parresia construindo a cultura do encontro, com os riscos que isso possa comportar: preferência por uma Igreja que sai mesmo com possibilidade de ferir-se.

Vivemos tempos difíceis! No nosso país que tanto se gloria por ser cristão vemos com certa perplexidade um proliferar-se de atitudes pouco ou nada parecidas com as atitudes e ensinamentos de Jesus, “amai-vos uns aos outros (Jo 15, 17), nisto todos saberão que sois meus discípulos” (Jo 13,35), “eu vim para que todos tenham vida …” (Jo 10,10). Cristo parece perder espaço cada vez mais para o axioma de Thomas Hobbes “o homem e o lobo do homem”; vemos constante até pessoas que se achavam civilizadas e educadas deixarem de lado o autocontrole e a fineza, e ajudadas pelas mídias sociais, perderem o respeito e o pudor.

Carecemos de uma antecipação da Quaresma, um tempo de conversão, de voltarmos para a nossa origem, de reconciliação com Jesus Cristo, Aquele do Evangelho, da nossa fé autêntica. E rezar: Pai, no meio da humanidade, dividida em contínua discórdia, sabemos por experiência que sempre levais as pessoas a procurar a reconciliação. Vosso Espírito Santo move os corações, de modo que os inimigos voltem à amizade, os adversários se dêem as mãos e os povos procurem reencontrar a paz. Sim, ó Pai, porque é obra vossa que a busca da paz vença os conflitos, que o perdão supere o ódio, e a vingança dê lugar à reconciliação (Oração Eucarística da Reconciliação II).

Fraternidade e ternura, cultura do encontro, compaixão, misericórdia, civilização do amor. Tudo isso deve ser perseguido, mais do que sonhado, deve ser o nosso ideal. São Paulo VI canonizado recentemente assim se manifestava no Natal de 1975 sobre o ideal da civilização do amor: “não o ódio, não a briga, não a avareza, mas o amor, o amor que gera amor, amor da humanidade pela humanidade, não por provisório e equivocado interesse ou por alguma amarga e equivocada condescendência, mas por amor a Ti equivoco interesse, a Ti, ó Cristo revelado no sofrimento e na necessidade de cada um de nossos semelhantes. A civilização do amor prevalecerá em meio às lutas sociais, e dará ao mundo a sonhada transfiguração da humanidade finalmente cristã.”

Pe. Elias Sales de Souza 
Diocese de Guarabira

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