domingo, 22 de abril de 2018
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O Cristão Vive o Tempo Liturgicamente

Publicado em sexta-feira, Março 16, 2018 · Comentar 

Pe. Elias Sales

O tempo para o cristão tem um valor especial, desde que Cristo, o Filho, Palavra eterna do Pai, entrou na história, fez sua morada no meio dos homens “todo tempo é tempo de Deus” (RATZINGER), pertence ao Senhor.

Sendo assim, o tempo litúrgico tem o seu centro no evento Cristo, o seu sacrifício único, seu Mistério Pascal, a sua morte de cruz e gloriosa ressurreição: acontecimentos únicos que, no entanto, não se firmam no passado, mas continuam atuais e, por isso mesmo, se realizam ainda agora, no presente e abrem-se  como algo novo projetando-se para o futuro (o já e ainda não).

O tempo litúrgico nos coloca, então, de um modo extraordinário em contato com o mistério de Cristo, faz-nos contemporâneos, de um certo modo, daqueles acontecimentos históricos que nos salvam, posto que o dar-se de Jesus Cristo na Cruz ultrapassa o tempo que lhes deram origem para atingir o ser humano como um todo, em todos os tempos e, em todos os lugares.

Desse modo, o tempo tem características relevantes para a vida e o peregrinar do cristão. Já não é tempo fatídico, conduzido pela sorte, ou pelo acaso para um nada: errante. O tempo cristão é pleno de significado: é tempo de Deus, é kairós.

O Cristão deve fazer que sua existência seja modelada pelos ritmos do tempo de Deus. E então viver pessoalmente os tempos litúrgicos na comunidades e paróquias de modo a formar Cristo em si dado que o mistério de Cristo impregna o tempo, a sua presença dinamiza-o, de tal modo que as celebrações litúrgicas durante o ano não são jamais fragmentos de mistério, são sim o mistério completo celebrado ritmicamente, distendido com lógica e bom senso durante todo o ano como caminho didático-pedagógico.

No tempo litúrgico acolhe-se o mistério da Santíssima Trindade revelado no rosto de Cristo. Aqui a história de cada ser humano encontra o “Tu” de que tem necessidade para viver feliz. Este “Tu”, esta Pessoa, paulatinamente, nos ritmos e cadências do tempo, coloca o fiel também em relação com os outros homens e mulheres, seus irmãos e irmãs, com a comunidade dos crentes, fazendo com que a igreja seja sua referência essencial.

Para nos ajudar a entrar na beleza do tempo de Deus a liturgia nos oferece pérolas. Dou um exemplo (já que estamos no tempo da Quaresma) com o Prefácio da Quaresma V (O êxodo no deserto quaresmal):

[…] caminhamos para a Páscoa, seguindo as pegadas de Jesus Cristo, Vosso Filho e Senhor Nosso, Mestre e modelo da humanidade, reconciliada e pacificada no amor. Vós reabris para a Igreja, durante esta Quaresma, a estrada do Êxodo, para que ela, aos pés da montanha sagrada, humildemente tome consciência de sua vocação de povo da aliança. E, celebrando vossos louvores, escute vossa Palavra e experimente os vossos prodígios. Por isso, olhando com alegria esses sinais de salvação, unidos aos anjos e aos santos, entoamos o vosso louvor, cantando (dizendo) a uma só voz…

Do dia do nosso Batismo em diante nos tornamos cidadãos do Reino, inseridos em Cristo passamos da morte para a vida (Povo Pascal); na fé fizemos o êxodo (da escravidão para a liberdade, da Antiga Lei para a Nova Lei – o amor), na fé, pela graça somos Povo da Nova Aliança (selada com o Sangue do verdadeiro Cordeiro). Toda essa beleza não nos deve orgulhar, mas nos deve dar uma humildade tal que nos faça escutar com toda a atenção a Cristo, Palavra do Pai, experimentar o maior prodígio (ser Nova Criatura, a Vida Nova, a humanidade pacificada e reconciliada).

Mesmo sendo o tempo quaresmal, momento de conversão e de penitência, de sobriedade e moderação aparece no final do prefácio como tempo de alegria, de louvor… nele os sinais da salvação podem ser olhados com admiração, tocados pelo homem e a mulher de fé.

Pe. Elias Sales de Souza
Diocese de Guarabira
Mestrando em Direito Canônico,
Instituto Superior de Direito Canônico do Rio de Janeiro.

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