Serra da Raiz e suas contradições


Existe uma elite local que conseguiu se manter no poder desde a década de 90, utilizando, entre outras ferramentas, a despolitização da população. O obscuro histórico político da cidade não é fruto da ignorância das pessoas, mas das artimanhas de um grupo político. O próprio PT (Partido dos Trabalhadores) que conseguiu minimamente diminuir a desigualdade social no Brasil e também democratizou o acesso ao ensino superior, teve dificuldades de aceitação em Serra da Raiz. Em 1989, por exemplo, Lula teve 444 votos contra 938 de Fernando Collor (dados do TER-PB).

Nas eleições seguintes o quadro se repetiu com mínimas alterações (Com exceção da eleição de 2006). O quadro fica ainda mais obscuro quando vemos o apoio, por parte da administração, de determinadas figuras políticas como Cássio Cunha Lima, que conseguiu número expressivo de votos no município (1058 votos) na eleição de 2002 para governador. Não é preciso eu alongar o texto falando do currículo podre de Cássio. É incrível como uma elite formada por algumas famílias consegue tanto apoio para políticos que não atendem minimamente os interesses de grande parte da população. Digo isto por que a maioria da população é formada por famílias pobres (450 famílias receberam bolsa família em Dezembro de 2017).

Este ano, em 21 de Janeiro, houve uma cerimônia cujo objetivo era dar títulos de cidadão serrano. É significativo a presença de Cássio Cunha Lima, representante da oligarquia estadual e Raimundo Lira que além de ter apoiado a reforma trabalhista, votou para a manutenção do cargo de Aécio Neves mesmo depois deste ser desmascarado publicamente. Durante a noite Wilson Filho se fez presente nas festividades. Apoiador do projeto político de Michel Temer e que votou a favor da admissão do processo de impeachment de Dilma Rousseff, fechou com chave de lama o dia.

Em meio a crise política que estamos vivenciando podemos dizer que há algo de benéfico: As pessoas estão mais interessadas em política. Em Serra da Raiz muitas pessoas se recusaram estar em baixo do mesmo teto de Cássio Cunha Lima. O tempo da sagração dos políticos parece dar sinais claros de morte. É bom perceber o constrangimento daqueles que ainda esperam os abraços calorosos do povo. Aqueles que nunca lutaram para diminuir os abismos econômicos que separam os ricos dos pobres. A administração parasitaria local que contribuiu com sua influência para a manutenção das desigualdades e das velhas práticas políticas talvez comece a perceber o óbvio: tudo passa, tudo muda.

Júlio Cesar Miguel 
Acadêmico de História
Contato com a coluna:  julio543543@outlook.com

 

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